• Redação
  • 29/08/2026

Comparar Lulinha a Flávio Bolsonaro e ao “Dark Horse” é delírio militante: de um lado, suspeitas sem contrato; do outro, milhões recebidos diretamente

Tentar colocar no mesmo plano o caso envolvendo Lulinha e a controvérsia do filme Dark Horse é produzir uma equivalência que os fatos conhecidos não sustentam. No primeiro episódio, as suspeitas divulgadas giram em torno de contatos, interlocuções e possível atuação de uma lobista, mas, até aqui, não apareceu contrato fechado por Lulinha que materialize o negócio apontado. Há investigação e questionamentos legítimos, mas transformar suspeitas em fatos consumados produz muito mais espuma política do que efeito prático comprovado.

No caso de Dark Horse, porém, a discussão é de outra natureza: Flávio Bolsonaro aparece diretamente ligado ao projeto e aos recursos destinados à produção. Por isso, a comparação precisa partir de documentos, valores efetivamente envolvidos e da participação concreta de cada personagem: e não simplesmente do parentesco de ambos com presidentes da República. Se os mais de R$ 60 milhões atribuídos ao projeto forem considerados, também cabe perguntar como tamanho orçamento se traduz no resultado efetivamente apresentado.

A tentativa de fabricar uma simetria perfeita entre os dois casos serve mais à militância do que à análise. Lula não é Lulinha, assim como Bolsonaro não é Flávio; mas, quando se pretende comparar os episódios, é preciso observar quem efetivamente contratou, recebeu ou administrou recursos e quais atos estão documentalmente comprovados. Sem essa distinção básica, a comparação deixa de esclarecer os fatos e vira apenas munição para torcida política.