• Redação
  • 29/08/2026

R$ 53 mil assusta, mas não conta a história: imprensa erra ao jogar todos os institutos de pesquisa no mesmo balaio

A imprensa de esquerda e de direita presta um desserviço quando trata como equivalentes todos os institutos atingidos por multas nesta campanha eleitoral. Está faltando apuração básica sobre a natureza de cada caso. Uma parte relevante das decisões decorre de novos entendimentos adotados pelo atual colegiado do TRE-RN para 2026 sobre procedimentos do registro administrativo das pesquisas, revendo práticas e interpretações até então consolidadas no próprio RN. A mudança de jurisprudência pegou os institutos de surpresa e transforma questões formais ou metodológicas, antes tratadas de outra maneira, em fundamento para novas sanções.

Há ainda outra mudança importante que precisa entrar na cobertura. O TRE-RN vem aplicando multas diretamente aos institutos em situações nas quais, anteriormente, determinadas irregularidades poderiam resultar principalmente apenas na impugnação ou proibição da divulgação da pesquisa. E o número estampado nas manchetes — cerca de R$ 53 mil — produz a impressão imediata de uma fraude gravíssima. Só que esse valor corresponde ao piso legal da multa prevista para divulgação de pesquisa eleitoral sem o prévio registro das informações exigidas pela legislação. Dependendo do enquadramento adotado pela Justiça Eleitoral, uma falha no cumprimento das exigências do registro pode levar justamente a essa penalidade mínima.

Isso não significa que todas as multas sejam irrelevantes nem que todos os institutos estejam trabalhando corretamente. Significa exatamente o contrário: é preciso apurar cada processo para separar erro formal, divergência decorrente de novo entendimento jurisprudencial, problema metodológico e pesquisa efetivamente irregular. Jogar tudo no mesmo balaio porque a manchete traz “multa de R$ 53 mil” nivela o mercado por baixo, pune reputacionalmente quem pode ter esbarrado numa mudança de interpretação e, sobretudo, impede o público de distinguir quem está fazendo pesquisa com rigor de quem realmente está cometendo irregularidades graves.