• Redação
  • 20/10/2026

Com empate entre Flávio e Lula, Milei já dissemina mentira de fraude no Brasil

Jamil Chade - ICL - O presidente da Argentina, Javier Milei, foi às redes sociais para atacar de forma gratuita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ventilar a teoria, sem qualquer prova, de que haveria uma operação para fraudar a eleição no Brasil.

A mensagem ocorre num momento em que diversas pesquisas de opinião apontam para uma recuperação de Lula entre os eleitores e um empate técnico entre os dois candidatos.

Em suas contas nas plataformas digitais, o argentino criticou as ações tomadas pelo governo brasileiro, em especial a redução da jornada de trabalho. Mas o tom que Milei usou foi interpretado como parte de uma ação para abalar a credibilidade do processo eleitoral no Brasil.

“Espero que seu último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição…esquerda ladrão”, disse Milei, na plataforma X.

A tese da fraude já havia sido usada por Fernando Cerimedo, estrategista argentino e que trabalhou em diversas campanhas da extrema direita latino-americana. Em 2022, foi ele que disseminou a ideia de que Jair Bolsonaro teria sido alvo de um roubo na eleição brasileira. Cerimedo está preso na Bolívia, por tentativa de matar sua ex-companheira. Mas ela assegura que a equipe do argentino continua operando.

Entre membros da sociedade civil e observadores políticos, uma das preocupações sobre a eleição se refere à recusa de que alguns governos reconheçam uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Não por acaso, uma operação de lobby com dezenas de governos pelo mundo ocorreu nos últimos meses. O objetivo é o de garantir que o processo brasileiro seja chancelado e que, ao mesmo tempo, governos de extrema direita fiquem expostos por sua atitude de rejeitar Lula como presidente.

Numa sinalização que também deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu na semana passada em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.

Há duas semanas, congressistas norte-americanos enviaram uma carta ao Departamento de Estado, cobrando um posicionamento por parte de Marco Rubio sobre a eleição no país. A principal preocupação do grupo liderado pelo senador Bernie Sanders era de que o voto no Brasil fosse alvo de uma operação de desestabilização por parte dos EUA. No documento, Sanders e outros pressionavam o governo Trump sobre qual seria a reação da Casa Branca diante da situação brasileira.

A carta foi seguida por outras duas manifestações por parte deputados e senadores dos EUA, também pressionando Rubio a dar respostas sobre o posicionamento americano no processo democrático no país.

Mas na resposta, enviada nesta quinta-feira, o governo Trump não deu qualquer garantia de que irá reconhecer o resultado das urnas.

Num texto lacônico, o Departamento de Estado afirmou:

“Os EUA apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.

A resposta não foi sequer assinada por Rubio. Coube a Katherine Bowles, sub-secretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, enviar o texto.

A carta acendeu um alerta. Nos últimos meses, a sociedade civil brasileira tem percorrido gabinetes de democratas nos EUA, alertando sobre o risco de que Trump não reconheça o resultado da eleição.
A ação da oposição é considerada como estratégica para observadores brasileiros. A pressão dos parlamentares pode gerar constrangimentos para uma eventual ação desestabilizadora por parte de Trump. A esperança do Brasil é de que essa movimentação ainda sirva como um contraponto dentro do próprio EUA, caso o presidente americano opte por não reconhecer uma vitória de Lula.

O qualificativo de “livre e justo” por parte do Departamento de Estado para se referir à eleição no Brasil também chama a atenção. Uma parte da sociedade civil questiona quem, nos EUA, designaria que a eleição foi “livre e justa”. A suspeita é de que esses termos possam ser usados, eventualmente, para justificar uma decisão por parte de Trump de dizer que esses critérios não teriam sido atendidos.