Celular de Vorcaro revela 316 interações com Alexandre de Moraes e mensagens indicam proximidade entre ministro e banqueiro
Uma reportagem publicada nesta sexta-feira (6) pelo UOL revela que o celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registra 316 interações com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entre setembro e novembro de 2025, nos dois meses anteriores à prisão do empresário. O levantamento identificou 187 mensagens enviadas por Vorcaro e outros 129 registros relacionados a mensagens do ministro e notificações do aplicativo. Os jornalistas Cézar Feitoza, Natália Portinari e Fabio Serapião conseguiram recuperar 17 mensagens inéditas, além das 52 comunicações anteriormente identificadas pela Polícia Federal. Os registros incluem conversas informais, referências familiares e possíveis acertos de encontros.
Os diálogos recuperados revelam uma relação aparentemente próxima. Em 24 de outubro de 2025, Moraes escreveu a Vorcaro: "Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs", acompanhando uma imagem cujo conteúdo não foi recuperado. Em 12 de novembro, o ministro comentou, em tom descontraído, que não bastava ser pai, sendo necessário participar da vida dos filhos. Vorcaro respondeu chamando Moraes de "paizão" e pediu que transmitisse abraços à família. Dois dias depois, em 14 de novembro, os registros mostram o ministro solicitando que o banqueiro avisasse quando pousasse em Brasília. Vorcaro confirmou sua chegada e Moraes respondeu: "A caminho então". A sequência sugere a organização de um encontro apenas três dias antes da prisão do empresário, embora não comprove, isoladamente, que a reunião tenha ocorrido.
O conteúdo mais sensível envolve mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com possíveis medidas da Polícia Federal e do Banco Central. Segundo a reportagem, o banqueiro chegou a pedir ajuda para tentar reverter a situação junto a Paulo Gonet, procurador-geral da República, ou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Em outra comunicação, solicitou que Moraes tentasse sensibilizar Andrei para adiar uma eventual medida, argumentando que o banco poderia evitar a quebra. Vorcaro também questionou se deveria deixar o país antes de uma possível operação. As mensagens levantam dúvidas relevantes sobre a natureza da relação entre um integrante da mais alta Corte do país e um empresário que buscava interferir no andamento de medidas institucionais. Entretanto, os registros não demonstram, por si, que Moraes tenha atendido aos pedidos.
A reportagem também lembra que o Banco Master contratou o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, por um valor próximo de R$ 130 milhões. O ministro contesta a autenticidade das supostas conversas, questiona a cadeia de custódia do aparelho e sustenta que o relatório da Polícia Federal contém informações falsas, produzidas como retaliação por sua atuação nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado. A defesa de Vorcaro também questiona a integridade das provas digitais. O STF deverá avaliar a possibilidade de abertura de investigação sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro. As revelações ampliam a necessidade de esclarecimento público sobre os contatos e seus possíveis desdobramentos institucionais.