Cadu Xavier descarta vingança política, recebe acenos de antigos adversários e promete diálogo no Governo do RN
O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), sinalizou nesta segunda-feira (26) que pretende iniciar sua administração sem alimentar os conflitos da campanha eleitoral. Em sua primeira entrevista depois da vitória, o petista afirmou que não pretende promover perseguições políticas e demonstrou disposição para conversar com lideranças de diferentes partidos. A mensagem é de que a disputa terminou nas urnas e que a prioridade agora será construir as condições políticas necessárias para governar o estado.
A movimentação já começou. Cadu revelou ter recebido contatos dos deputados federais João Maia e Benes Leocádio, além de Hermano Morais, que disputou a eleição como candidato a vice-governador na chapa adversária. As manifestações indicam a abertura de canais de comunicação com setores que não integraram sua campanha. Para o futuro governador, essa aproximação poderá ser importante na formação de uma base de sustentação política, especialmente diante dos desafios administrativos e financeiros que encontrará a partir de janeiro.
Outro gesto destacado pelo petista foi o telefonema de Allyson Bezerra (União Brasil), derrotado no segundo turno. O ex-prefeito de Mossoró reconheceu o resultado eleitoral e desejou sucesso ao adversário. Cadu elogiou a atitude e afirmou que teria feito o mesmo caso o resultado fosse inverso. A eleição terminou com uma diferença de apenas 32.625 votos: o candidato do PT recebeu 50,77% dos votos válidos, enquanto Allyson alcançou 49,23%. O equilíbrio da disputa reforça a importância de estabelecer pontes políticas depois de uma campanha acirrada.
Apesar da disposição para negociar, Cadu deixou claro que o diálogo não significará abandonar os compromissos assumidos com seus eleitores. O governador eleito pretende preservar sua identidade política enquanto busca entendimento com diferentes forças do estado. Ex-secretário da Fazenda e estreante em disputas eleitorais, ele também reconheceu o peso da responsabilidade que terá pela frente. A capacidade de transformar essa abertura política em apoio efetivo na Assembleia Legislativa será um dos primeiros testes de sua administração, que terá Larissa Rosado (PSB) como vice-governadora.