• Redação
  • 06/11/2026

Bolsonaristas serão feitos de trouxas mais uma vez: votam no sistema achando que vão destruí-lo

Os bolsonaristas caminham para ser feitos de trouxas mais uma vez. E não estou falando da maluquice de acreditar que o Paraguai é a nova Suíça. Refiro-me à expectativa de que o Senado promoverá o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Essa agenda não interessa à maior parte da classe política. Há senadores envolvidos em investigações e outros que preferem um STF politicamente enfraquecido, mas institucionalmente preservado. Afinal, ministros fragilizados podem ser mais suscetíveis a pressões políticas. Não é por acaso que Rogério Marinho, interessado na presidência do Senado, já sinalizou que não pretende transformar o impeachment de ministros em sua agenda central.

O erro fundamental do bolsonarismo está no ponto de partida: seus eleitores escolhem políticos profundamente integrados ao sistema de poder acreditando que eles vão destruí-lo. Rogério Marinho é um exemplo dessa contradição. Trata-se de um político experiente, com longa trajetória institucional e capacidade de negociação dentro das estruturas que seus apoiadores dizem combater. A lógica é simples: a classe política não tem incentivos para desmontar os mecanismos dos quais depende para sobreviver. O bolsonarismo promete uma revolução contra o sistema, mas entrega votos justamente aos seus operadores mais tradicionais. No fim, a indignação fica com os eleitores e o poder continua com os mesmos de sempre.