Argumentação de Odon Júnior para atrair apoio de Ezequiel Ferreira é a mais consistente já feita pelo campo governista
O pré-candidato a deputado federal Odon Júnior (PT) apresentou, durante participação no programa “Tamo Junto”, da 88 FM Universitária, uma das avaliações políticas mais articuladas já feitas por integrantes do campo governista na tentativa de atrair o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, para o projeto de Cadu Xavier em 2026. Segundo Odon, a história política recente do RN mostra que Ezequiel sempre atuou de maneira pragmática e estratégica. Como exemplo, ele relembrou o apoio dado por Ezequiel ao então governador Robinson Faria em busca de sua reeleição em um momento em que Robinson enfrentava forte desgaste político e baixa avaliação popular.
Odon destacou ainda que aquele movimento não impediu que Ezequiel posteriormente reposicionasse sua atuação no segundo turno, demonstrando capacidade de adaptação política sem grandes prejuízos institucionais. A mensagem implícita foi clara: apoiar Cadu Xavier neste momento não representaria um salto no escuro para Ezequiel, especialmente porque, na avaliação do ex-prefeito de Currais Novos, o cenário eleitoral de Cadu hoje seria muito mais favorável do que o vivido por Robinson Faria em sua tentativa de reeleição. Dentro dessa lógica, o apoio antecipado permitiria ao grupo de Ezequiel negociar espaços estratégicos relevantes dentro da chapa governista. Se apoiar Álvaro ou Allyson, na opinião de Odon, Ezequiel pode perder o comando do legislativo potiguar.
Entre esses espaços estaria justamente a possibilidade de indicação do candidato a vice-governador. Segundo Odon, essa composição abriria caminho para uma aliança institucional robusta entre o grupo político de Ezequiel e os deputados estaduais ligados ao governo, criando uma base com potencial para controlar metade da Assembleia Legislativa já no próximo biênio e fazer o presidente da casa. Na prática, o argumento busca mostrar a Ezequiel que apoiar Cadu Xavier pode significar não apenas competitividade eleitoral — inclusive com chances concretas de segundo turno —, mas também preservação e ampliação de influência política dentro da estrutura de poder do estado.