Após pedido de Zanin e Moraes, Mendonça barra acesso integral ao celular de Vorcaro e reforça suspeita de blindagem a Flávio
O ministro André Mendonça, do STF, negou o acesso integral aos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, após pedido do ministro Cristiano Zanin. Segundo reportagem de O Globo, Mendonça argumentou que a abertura de todo o material bruto poderia comprometer investigações ainda em andamento. O ministro sustenta que recebeu da Polícia Federal apenas uma cópia de segurança, armazenada em HD e mantida lacrada em seu gabinete, e afirma que nunca manuseou seu conteúdo.
Zanin, porém, insistiu no acesso, sob o argumento de que todos os integrantes do Supremo deveriam ter a mesma oportunidade de examinar os elementos relacionados ao processo antes do julgamento previsto para o dia 15. Mendonça respondeu que os documentos efetivamente utilizados no processo já estão disponíveis aos ministros e que a íntegra dos dados poderia revelar informações ligadas a outras diligências sigilosas. A divergência ocorre em meio a questionamentos dentro do próprio STF sobre a extensão do material disponível aos julgadores.
A decisão ganha ainda mais peso político porque Mendonça também é relator de investigações derivadas do caso Master que alcançam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, entre elas a apuração relacionada ao financiamento do filme Dark Horse. Nesta sexta-feira (11), Mendonça retirou o sigilo dessa investigação e de outros procedimentos após pedidos por maior transparência. Nesse cenário, a recusa em franquear aos colegas do STF todo o conteúdo extraído do celular de Vorcaro alimenta a disputa sobre se a condução do caso está preservando apenas o sigilo investigativo — como sustenta o relator — ou produzindo, na prática, uma blindagem sobre informações que podem atingir o grupo político de Flávio Bolsonaro.