• Redação
  • 19/08/2026

Álvaro Dias justifica falta de drenagem em Ponta Negra por “tempo curto”

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O candidato a governador Álvaro Dias (PL) atribuiu os problemas de drenagem na obra da engorda da praia de Ponta Negra ao “tempo exíguo” que tinha para realizar o serviço e culpou o Partido dos Trabalhadores (PT) por “bombarbear” e “dificultar” a realização da obra. A engorda foi iniciada na gestão de Álvaro enquanto prefeito de Natal e inaugurada em janeiro de 2025 na gestão de Paulinho Freire (União). Hoje, passa por um processo de complementação devido aos alagamentos gerados na faixa de areia após as chuvas.

O ex-prefeito deu as declarações na noite desta terça-feira (18) em entrevista à TV Tropical. O candidato do PL foi o segundo entrevistado na série de sabatinas feitas pela emissora com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte.

Na televisão, o apresentador Murilo Meireles citou a ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) para garantir a reestruturação integral do sistema de drenagem pluvial da praia de Ponta Negra e o pedido de liminar para obrigar a realização de obras emergenciais que evitem o agravamento das inundações — em maio, poucos dias depois, a Prefeitura anunciou uma nova obra, mas afirmou que os “espelhos ‘d’água” vão continuar.

“Se nós não tivéssemos feito a engorda na praia de Ponta Negra, a praia não existia mais”, disse Álvaro Dias.

A jornalista Mara Godeiro voltou a insistir no assunto e questionou: “A obra era necessária, mas por que a drenagem não foi feita?”. Em sua resposta, o ex-prefeito disse que hoje a faixa de areia chega a 50 metros na maré cheia e 100 metros na maré seca.

“O prefeito Paulinho Freire vai fazer a drenagem, ele está consciente, sabe da necessidade. Agora, o tempo que a gente tinha para realizar a engorda na praia de Ponta Negra era um tempo exíguo, pequeno, curto, não dava tempo fazer a drenagem da forma que é necessária fazer. Paulinho Freire vai fazer, ele está consciente. Do mesmo jeito que nós fizemos a nossa engorda, essa mesma engorda foi feita em Balneário de Camboriú, foi feita em Recife, foi feita na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro”, justificou o candidato a governador.

Culpa do PT

Em seguida, Álvaro Dias atribuiu os problemas no processo da obra da engorda ao PT, que segundo ele teriam atrapalhado a realização do serviço na praia.

“O problema é porque aqui no Rio Grande do Norte o PT é um partido pequeno, é um partido que bombardeia a praia de Ponta Negra por causa da engorda, porque foi feita por nós. Eles procuraram dificultar de toda forma a realização da engorda, negando a licença no Idema repetidamente, várias vezes”, disse.

Riscos

Estudos técnicos da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) e da perícia do MPF constataram a ineficiência do sistema de drenagem, com tubulações falsas e galerias bloqueadas com concreto e rochas. As análises demonstraram que os 16 dissipadores existentes não cumprem a função de dispersar as águas pluviais, gerando acúmulo da água da chuva misturada à rede de esgotos, favorecendo a proliferação de vetores de doenças.

Além disso, os levantamentos enfatizam que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada. Os estudos indicam também que o deságue inadequado próximo à base da duna está carregando sedimentos e já causou danos físicos, como a derrubada de cercas de proteção do morro.

Em chuvas recentes, no mês de abril, uma vala foi aberta próxima ao morro, em razão da força da água das chuvas que vai de encontro ao mar, também arrastando a areia da “engorda”. A perícia do MPF concluiu que é necessária a manutenção preventiva e corretiva, sob o risco “de prejuízo financeiro vultoso pelo refazimento da ‘engorda’ e a abreviação da vida útil do empreendimento”.

Complementação

A obra de complementação da drenagem na praia de Ponta Negra tem previsão de ser concluída em dezembro, segundo informou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). Em julho, a praia voltou a alagar no trecho da engorda, formando grandes lâminas d’água sobre a areia.

A nova obra foi anunciada em maio e teve a ordem de serviço assinada em 3 de julho. A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos.

O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025. De acordo com a Prefeitura, o sistema foi dimensionado para suportar chuvas com intensidade até 60 mm, permitindo a infiltração da água no solo. 

Ainda assim, em casos de precipitações superiores a esse volume, o excedente será direcionado para a faixa de areia, podendo formar alagamentos que a Prefeitura vem chamando de “espelhos d’água”, que devem se dissipar rapidamente por infiltração.

Saiba Mais: Chuvas superam média de julho e voltam a alagar Ponta Negra

De acordo com o Executivo, os reservatórios de detenção e infiltração foram escolhidos por sua alta capacidade de infiltração, eficiência operacional e caráter sustentável. Além disso, o sistema contribui para a melhoria da qualidade da água que chega à praia, ao promover a filtragem de impurezas provenientes, em muitos casos, de ligações clandestinas de esgoto que escoam diretamente para a areia.

O serviço vai receber um investimento de R$21 milhões e está previsto para acontecer em três pontos: nas ruas Francisco Gurgel e dissipador 9; na rua João Rodrigues de Oliveira; e na rua Praia de Pirangi. 

Alagamentos em Ponta Negra vão permanecer

Em evento com a imprensa em 13 de maio, o então secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, afirmou que os “espelhos d‘água” na praia de Ponta Negra vão continuar, mas em menor volume.

Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.

“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.

Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.

“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”

Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.

“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.