Álvaro de Lula e (com vergonha) de Flávio
Álvaro Dias até acenou para o bolsonarismo lá atrás, quando precisava consolidar sua candidatura ao Governo do RN pelo PL e viabilizar o apoio de Flávio Bolsonaro. Mas, passada essa etapa, a estratégia eleitoral tomou outro rumo. Como já havíamos antecipado, a tentativa de transformar a eleição estadual numa reprodução automática da polarização Lula x Bolsonaro tinha muito mais força retórica do que efetividade prática. Nos últimos movimentos, isso ficou ainda mais evidente: Álvaro praticamente não fala em Bolsonaro nas agendas pelo interior e o ex-presidente também desapareceu de suas redes sociais. O alvo preferencial passou a ser apenas o governo Fátima Bezerra.
O episódio de ontem tornou a contradição ainda mais visível. Em pleno debate, Álvaro prometeu implementar o método Paulo Freire na educação caso seja eleito governador, referência historicamente transformada em alvo pela direita bolsonarista. A movimentação mostra uma campanha tentando escapar da própria embalagem partidária: Álvaro está no PL e usa o antipetismo quando lhe convém, mas evita carregar Flávio Bolsonaro para onde avalia que a associação pode limitar seu crescimento. No fim, a polarização que se anunciava como eixo central da disputa estadual vai se revelando aquilo que já apontávamos: muito útil como discurso de largada, mas bem menos funcional quando a campanha encontra o eleitor real.