Álvaro cola em Flávio e faz aposta de alto risco para chegar ao segundo turno
A aproximação de Álvaro Dias com Flávio Bolsonaro revela uma estratégia cada vez mais nítida: nacionalizar a disputa pelo Governo do RN e transformar o eleitorado bolsonarista em combustível para garantir uma vaga no segundo turno. Diante do risco de ficar pelo caminho ainda na primeira etapa, Álvaro parece optar pela consolidação de um campo ideológico mais fechado, buscando reduzir a dispersão do voto da direita e converter a força nacional de Flávio em voto estadual. É uma aposta compreensível do ponto de vista eleitoral imediato: antes de pensar em vencer a eleição, Álvaro precisa sobreviver ao primeiro turno. Cadu de Lula colou nele.
O problema está justamente no dia seguinte. Quanto mais Álvaro se identifica com Flávio e transforma sua candidatura numa representação direta do bolsonarismo no RN, maior pode ser sua dificuldade para ultrapassar esse campo numa eventual disputa de segundo turno. A estratégia que pode elevar seu piso agora também pode rebaixar seu teto depois, sobretudo diante da necessidade de conquistar eleitores de centro e segmentos que rejeitam o bolsonarismo. Álvaro, portanto, joga uma partida de alto risco: prefere aumentar suas chances de chegar ao segundo turno, mesmo que o caminho escolhido possa tornar muito mais difícil vencê-lo.