Acordo de R$ 300 mil encerra processo contra conselheiro da 3R Petroleum na CVM, que tem negócios de petróleo no RN
Amado Mundo - Richard Chagas Gerdau Johannpeter, membro do conselho de administração da petroleira 3R Petroleum, fechou um acordo de R$ 300 mil com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O Termo de Compromisso assinado por Gerdau liquida de vez uma investigação administrativa que apurava o uso de informação privilegiada por ele.
O xerife do mercado financeiro mirou movimentações de Gerdau com ações e opções da petroleira entre março e abril de 2023. O conselheiro, que operava historicamente apostando na valorização do papel, passou a fazer o contrário da noite para o dia.
A guinada aconteceu um dia após uma reunião confidencial do conselho. Na mesa, estava um plano de aumento de capital com generoso desconto de 20% no preço das ações. Como esse tipo de desconto costuma derrubar as cotações na Bolsa, a CVM apontou que a mudança de estratégia de Gerdau serviu para blindar o patrimônio antes do anúncio oficial.
A defesa alegou que a guinada ocorreu por medo de o governo travar o complexo industrial Polo Potiguar e seguindo conselho de assessores após um corte na produção de petróleo no exterior. Ironicamente, a jogada deu prejuízo. Como o executivo tinha muitas ações da própria empresa guardadas, o tombo desses papéis na Bolsa foi tão grande que engoliu qualquer ganho dele com as apostas na queda.
O acordo com a CVM demorou a sair. Uma primeira proposta, de R$ 200 mil, foi recusada pelo órgão em 2024 porque o comitê queria aprofundar as apurações. Agora, o caso vai para a gaveta sem admissão de culpa ou ilicitude por parte do investidor.