Deputados governistas pedem apuração nos EUA sobre Master e Clã Bolsonaro
Deputados federais brasileiros enviaram uma comunicação a parlamentares democratas dos Estados Unidos pedindo a apuração de possível lavagem de dinheiro e fluxos financeiros ligados ao caso Banco Master em território norte-americano.
A solicitação foi assinada por Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG). A comitiva está em Washington, capital dos Estados Unidos, e participa de reuniões no parlamento americano.
O documento, datado de quarta-feira (3), cita Daniel Vorcaro, empresas do ecossistema Master, a gestora Reag, fundos investigados e eventuais vínculos com pessoas próximas aos irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro. Os deputados pedem que autoridades dos EUA investiguem contas, empresas, fundos, contratos, pagamentos e possíveis beneficiários finais.

Comitiva formada por Pedro Campos (PSB-PE), André Janones (Rede-MG), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC) | Reprodução
Segundo o documento, a apuração deve verificar se recursos ligados a Vorcaro, ao Banco Master, à Reag e a fundos sob suspeita foram usados em atividades políticas, jurídicas, comunicacionais ou de lobby em favor de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O texto também pede análise de contratos com produtoras, escritórios de advocacia, consultorias, empresas de relações públicas e estruturas financeiras.
A comunicação ressalta que os signatários “não afirmam, de modo definitivo, a ocorrência de crime nem atribuem responsabilidade penal conclusiva a qualquer pessoa”. Ainda assim, os deputados dizem que fatos públicos, conexões políticas e possíveis operações transnacionais justificam a abertura de investigação.
O pedido ocorre após reportagens do "The Intercept Brasil" revelarem a negociação de recursos de Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. A investigação da Polícia Federal aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL) negociou US$ 24 milhões com o então dono do Banco Master.
Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do filme, com poder sobre decisões financeiras e orientou alternativas para envio de recursos aos Estados Unidos. A defesa de Eduardo negou que ele tenha sido produtor-executivo ou recebido valores do fundo ligado à produção. Já Flávio diz que procurou Vorcaro para buscar patrocínio privado para "Dark Horse" e encerrou as tratativas após o avanço das suspeitas contra o banqueiro.