10 de abril de 2026

Entre dois campos: Rafael Motta oscila entre esquerda e direita conforme o calendário eleitoral

Autor: Daniel Menezes

A trajetória recente de Rafael Motta expõe uma movimentação política que levanta questionamentos sobre coerência ideológica. Em 2022, ele disputou o Senado inserido no campo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas acabou concorrendo com Carlos Eduardo Alves pelo mesmo eleitorado progressista, fragmentando os votos e abrindo caminho para a vitória de Rogério Marinho. Já em 2024, Motta mudou de posição no tabuleiro local ao integrar a gestão de Álvaro Dias como secretário municipal, aproximando-se de um grupo político distante daquele que orbitava dois anos antes.

Na mesma eleição municipal, ao tentar se viabilizar como candidato, Motta passou a adotar um discurso que enquadrava nomes como Natália Bonavides no campo do “radicalismo”, reposicionando-se no debate local. Agora, em 2026, retorna ao campo progressista ao se filiar ao PDT, novamente se apresentando como possível candidato dentro do arco de apoio a Lula. O vai e vem entre alianças e discursos distintos reforça a percepção de uma atuação guiada mais pela conveniência eleitoral do que por alinhamento político consistente, alimentando a crítica de que Motta atua como esquerda nas disputas estaduais e se reposiciona à direita quando o jogo é municipal.

Em 2026, caso seja candidato, é possível que cumpra novamente o papel de dividir o eleitorado do campo lulista, abrindo caminho para candidaturas à direita. Claro, certamente não é a sua intenção, mas há a possibilidade prática da conjuntura se repetir.

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