26 de março de 2026

Capital não é voto: pretensão de aclamação de Flávio Rocha colide com a lógica da política

Autor: Daniel Menezes

Diferentemente de outros momentos em que seu nome surgia como possibilidade a partir de articulações da própria classe política, desta vez a movimentação partiu do próprio Flávio Rocha. Nos bastidores, é dado como certo que ele decidiu entrar no jogo, inclusive com a transferência de domicílio eleitoral para Natal, sinalizando intenção concreta de disputar espaço no Rio Grande do Norte. A estratégia, no entanto, parece ancorada em uma expectativa de projeção quase automática, baseada em seu histórico empresarial e na posição de destaque no mundo dos negócios, um cálculo que, na prática política, costuma encontrar limites claros.

A política exige mais do que notoriedade e patrimônio. Exige presença, construção de base, diálogo contínuo e capacidade de se inserir no cotidiano do eleitor. Para além do capital financeiro, é o capital político que define viabilidade eleitoral. E ele se constrói no contato direto, no corpo a corpo, no “gastar sola de sapato”. Caso insista em uma candidatura ao senado, o que parece ser seu sonho, apenas sustentada pelo peso de sua trajetória empresarial, Flávio Rocha tende a enfrentar dificuldades para consolidar um projeto consistente. E mais: uma eventual eleição nesses termos, ainda que improvável, levantaria questionamentos sobre a qualidade da representação política construída sem esse enraizamento essencial.

Na prática, ele terminou sobrepujado por Coronél Hélio para compor a chapa ao senado com Styvenson Valentim. Com discurso histriônico e extremista, mas que está em todos os eventos e se movimenta por todo o RN, Hélio moveu o PL de Rogério Marinho a seu favor, deixando as ambições de Flávio Rocha e de Álvaro Dias, seu padrinho, em segundo plano.

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