9 de março de 2026

PF cumpre nova ordem de prisão contra aliado de Flávio Bolsonaro em investigações sobre CV

Autor: Daniel Menezes

Do ICL - Juliana Dal Piva - A Polícia Federal cumpriu uma nova ordem de prisão, nesta segunda-feira (9), contra o ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, durante a Operação Anomalia, que é mais uma das fases das investigações que apuram  um núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e na venda de influência para favorecer os interesses do Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro.

A coluna apurou que Carracena foi indicado ao órgão para o governo Cláudio Castro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É a segunda ordem de prisão: ele já estava detido por outra acusação neste mesmo caso. No entanto, o secretário do Consumidor Gutemberg Fonseca , outro aliado de Flávio, afirma que foi ele quem indicou Carracena ao governo.

Flávio Bolsonaro e Gutemberg Fonseca (à direita)

O ex-secretário é advogado e já ocupou também os cargos de diretor de operações em autarquia municipal; foi presidente do Fundo Especial de Ordem Pública da cidade do Rio; presidente do Conselho Administrativo da Guarda Municipal da capital; e integrante do Gabinete de Crise da cidade durante o período da pandemia.

Além de Carracena, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão na cidade do Rio, além de medidas cautelares diversas, como afastamento do exercício de função pública. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos presos é o delegado federal Fabrizio José Romano.

Os elementos de prova colhidos indicam que os investigados estruturaram uma associação criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública e para o favorecimento de interesses atrelados ao tráfico de drogas.

A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa assegurar a atuação uniforme e coordenada da PF na produção de inteligência e de repressão aos principais grupos criminosos violentos no estado do Rio de Janeiro, com foco especial na desarticulação de suas conexões com agentes públicos e políticos.

Mensagens

Em novembro do ano passado, a PF obteve diálogos, na Operação Zargun, que demonstraram  como o Comando Vermelho tentava influenciar o policiamento no Rio por meio de contatos com Gutemberg Fonseca. Em um diálogo, Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado pela PF como integrante do CV, relatou a Carracena que esteve com Gutemberg Fonseca para apresentar demandas e pedir “cobertura política”.

Nota do secretário Gutemberg Fonseca:
O advogado Alessandro Pitombeiro Carracena foi indicado por mim para exercer uma função técnico-jurídica na Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor, com base em critérios profissionais e em sua formação na área jurídica. Trata-se de uma indicação de caráter estritamente técnico. Ressalto ainda que o senador Flávio Bolsonaro não participou dessa indicação. Carracena foi exonerado do cargo em janeiro de 2025, portanto muito antes de qualquer investigação de que tenhamos tomado conhecimento.

Conheço Carracena há mais de 20 anos. Nosso primeiro contato ocorreu quando eu ainda atuava como árbitro de futebol. À época, ele passou a prestar serviços como advogado para mim e para minha família.

Em relação às menções ao meu nome em mensagens atribuídas ao investigado Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, esclareço que tomei conhecimento desse conteúdo apenas por meio da imprensa. Desconheço completamente a vida pessoal e o histórico do referido investigado.

Como figura pública, participo regularmente de agendas institucionais e eventos em diversas regiões do estado, inclusive em comunidades e áreas socialmente vulneráveis, o que naturalmente implica contato com inúmeras pessoas, muitas vezes sem qualquer conhecimento prévio sobre quem são ou de que contexto vêm. Caso tenha ocorrido algum eventual contato em eventos públicos, este teria sido meramente circunstancial, sem qualquer tipo de relação pessoal, proximidade ou ciência sobre eventual envolvimento ilícito.

Cabe destacar, inclusive, que nas próprias mensagens divulgadas o investigado afirma que “não teve êxito comigo” e que “se não é de coração, deixa pra lá”, o que reforça que não houve qualquer tipo de atendimento de pedido ou estabelecimento de relação.

Reforço que não houve qualquer tipo de proximidade, relação pessoal ou atendimento de pedido por minha parte.

[0] Comentários | Deixe seu comentário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.