12 de fevereiro de 2026
Toffoli admite sociedade ligada a resort e nega vínculo com Vorcaro
Autor: Daniel Menezes
Congresso em Foco - O ministro do STF Dias Toffoli afirmou, em nota divulgada nesta quinta-feira (12), que é sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, a um fundo que, segundo as investigações, é ligado a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli é relator, no Supremo, da investigação que apura suspeitas de fraudes na tentativa de compra do Master pelo BRB.
No comunicado, o ministro afirma que integra o quadro societário da Maridt, mas não exerce funções de gestão. A administração da empresa, segundo a nota, é feita por parentes. Esta é a primeira vez que o ministro admite publicamente a participação na empresa.
Veja a íntegra da nota de Toffoli.
"O ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador", afirma.

Toffoli afirma que empresa da qual era sócio vendeu participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná.Paulo Ricardo Martins/Folhapress
O texto destaca que a Maridt é uma empresa familiar, constituída como sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada na Junta Comercial e com declarações anuais apresentadas à Receita Federal, todas aprovadas.
Saída do grupo Tayayá
A Maridt integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arllen; em 21 de fevereiro de 2025, o saldo remanescente foi alienado à empresa PHD Holding.
Segundo o gabinete, as operações foram realizadas a valor de mercado e devidamente declaradas às autoridades fiscais.
A nota também ressalta que o processo sobre a compra do Banco Master pelo BRB foi distribuído a Toffoli em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava mais o grupo Tayaya.
Negativa de vínculo
O ministro ainda negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro.
"Ademais, o ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel."
A manifestação foi divulgada no momento em que a Polícia Federal apresentou ao STF uma arguição de suspeição contra o ministro no inquérito do Banco Master. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que decidirá se Toffoli permanece na relatoria. O ministro afirma que o pedido não se sustenta e se baseia apenas em "ilações".
O inquérito foi aberto após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, em meio a indícios de fraudes envolvendo carteiras de crédito sem lastro. As investigações tramitam sob sigilo parcial.
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