6 de fevereiro de 2026

Relatório da Liga Contra o Câncer aponta planos de saúde como principal fonte de atendimento e receita

Autor: Daniel Menezes

Mesmo sendo uma instituição filantrópica, a Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer tem nos atendimentos realizados por planos de saúde a principal base de sustentação financeira e de prestação de serviços. É o que revelam os dados do Relatório Anual 2020 da própria entidade, que apresenta, na página 36, a comparação das receitas de serviços referentes aos anos de 2019 e 2020.

Em 2020, a Liga registrou receita operacional total de aproximadamente R$ 218,5 milhões. Desse montante, cerca de R$ 114,3 milhões tiveram origem em atendimentos via planos de saúde, o que corresponde a pouco mais de 52% da receita de serviços. Já os atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) somaram aproximadamente R$ 72,3 milhões, o equivalente a cerca de 33% do total, enquanto as demais fontes — como doações, ensino, pesquisa e receitas diversas — completaram o orçamento.

O relatório indica que a preponderância da saúde suplementar já estava presente em 2019. Naquele ano, os planos de saúde também responderam pela maior fatia da receita de prestação de serviços da instituição, superando o faturamento oriundo do SUS. Embora os valores absolutos de 2019 sejam inferiores aos de 2020, a proporção se manteve semelhante, com os convênios privados concentrando mais da metade da receita de serviços e o SUS ficando com aproximadamente um terço.

A comparação entre os dois exercícios evidencia que a predominância do atendimento privado não é circunstancial nem restrita ao período da pandemia, mas estrutural no modelo de financiamento da Liga. Ainda que exerça papel social relevante no atendimento oncológico pelo SUS e mantenha o status filantrópico, os dados oficiais da própria instituição mostram que é o faturamento com planos de saúde que assegura, de forma majoritária, os recursos necessários para a manutenção da estrutura hospitalar e dos serviços de alta complexidade oferecidos no Rio Grande do Norte.

Baixe o relatório na íntegra aqui.

 

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