4 de fevereiro de 2026

Lira ficará frente a frente com deputado que denunciou indicação irregular de emendas, decide Dino

Autor: Daniel Menezes

G1 - O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a tomar depoimentos e fazer uma acareação entre o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o deputado José Rocha (União Brasil-BA).

O magistrado determinou que a PF apure contradições entre Lira e Rocha quanto às indicações de emendas do antigo orçamento secreto.

É a primeira vez que Lira deve ser ouvido pela Polícia Federal sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Os depoimentos serão dentro do inquérito que investiga o antigo orçamento secreto e que levou à Operação Transparência, em dezembro passado, que teve como alvo uma ex-assessora de Lira na Presidência da Câmara. A servidora Mariangela Fialek, conhecida como Tucasofreu busca e apreensão em seu antigo gabinete e em sua casa.

Lira é um defensor da alocação de recursos do Orçamento pelos congressistas. Foi na gestão dele que veio a público o debate sobre as emendas de relator, que compunham o orçamento secreto e dificultavam a identificação de quem eram os autores das indicações dos recursos. O orçamento secreto acabou sendo proibido pelo STF.

A nova decisão de Dino dentro desse inquérito é do último dia 19. A investigação corre em sigilo.

Quando foi deflagrada a Operação Transparência, em 12 de dezembro, a PF apreendeu celulares, computador e anotações de Tuca. A polícia ainda está analisando esse material.

Conforme o g1 apurou, Dino autorizou a acareação entre Lira e Rocha porque em 17 de dezembro, cinco dias depois da operação, a Advocacia da Câmara dos Deputados fez uma petição ao Supremo afirmando que a busca e apreensão na Casa Legislativa havia se baseado em informações inverídicas.

Essas informações, segundo os advogados da Câmara, teriam vindo do deputado José Rocha — um dos seis parlamentares que prestaram depoimento à PF e apontaram Tuca como "a principal responsável pela operacionalização do chamado 'orçamento secreto'".

Além de Rocha, também foram ouvidos no inquérito os deputados Glauber Braga (PSOL-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

 

 

Contradição

 

Na petição enviada a Dino em dezembro, a Advocacia da Câmara sustentou que, na verdade, era José Rocha que estava tendo condutas irregulares na indicação de emendas durante o ano de 2024, quando ele era presidente da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (Cindre).

 

De acordo com os advogados da Câmara, Rocha estava fazendo um grande número de indicações de emendas sem combinar com as lideranças partidárias.

 

Lira, então presidente da Casa, só teria ficado sabendo dessa conduta quando foi informado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional de que o valor disponível para emendas de comissão tinha se esgotado.

Além disso, a Advocacia da Câmara afirmou que Rocha retirou emendas de Alagoas que ele considerava terem sido indicadas somente por Lira, mas que atendiam aos interesses de vários deputados do estado, conforme acordos prévios.

Diante da troca de acusações entre os dois deputados, o relator do caso no STF mandou a PF apurar os fatos e interrogar os envolvidos.

 

Operação Transparência

PF investiga ex-assessora de Arthur Lira, PP, em operação contra desvio de emendas

 

A investigação que culminou na operação contra Tuca, em dezembro, apontou que a ex-assessora de Lira era responsável pelo "controle de indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto", como escreveu Dino à época.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou que a representação da Polícia Federal que deu origem à operação estava "encorpada com significativos elementos, materializados em diversos depoimentos e análises policiais, sugestivos da atuação ilícita de Mariangela Fialek".

 

Para a PGR, a servidora "desponta exercer o controle de indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício de uma provável organização criminosa voltada à prática de desvios funcionais e crime contra a administração pública e o sistema financeiro nacional".

 

Na ocasião da operação, a advogada de Tuca, Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, afirmou em nota que a servidora teve atuação "estritamente técnica, apartidária e impessoal".

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