12 de abril de 2026
Styvenson lidera gastos com publicidade entre todos os parlamentares do RN
Autor: Daniel Menezes
Do Saiba Mais
Por Alisson Almeida
A bancada federal do Rio Grande do Norte consumiu R$ 1.292.761,97 da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) entre janeiro e abril de 2026, segundo dados dos portais de transparência da Câmara dos Deputados e do Senado. Desse total, R$ 928.428,70 foram utilizados pelos deputados federais e R$ 364.333,27 pelos senadores potiguares. Na Câmara, o campeão de gastos foi Robinson Faria (PP), enquanto no Senado o líder em despesas foi Styvenson Valentim (Podemos).
Entre os deputados, Robinson Faria lidera com R$ 151.254,17, seguido por João Maia (PP) com R$ 144.562,22 e Carla Dickson (PL) com R$ 132.731,85. Na sequência aparecem Benes Leocádio (União Brasil) com R$ 122.557,77, General Girão (PL) com R$ 114.513,39 e Fernando Mineiro (PT) com R$ 103.368,99.
Os menores volumes foram gastos pelo deputado Sargento Gonçalves (PL) com R$ 87.834,80 e pela deputada Natália Bonavides (PT) com R$ 71.605,51.
Já no Senado, Styvenson Valentim concentra R$ 183.908,09, à frente de Zenaide Maia (PSD) com R$ 124.364,70 e Rogério Marinho (PL) com R$ 56.060,48.
Principal gasto é com divulgação da atividade parlamentar
Um traço comum entre os parlamentares potiguares é a forte concentração de recursos na rubrica de divulgação da atividade parlamentar, que inclui produção de conteúdo, publicidade e manutenção de canais de comunicação com o eleitorado.
Entre os deputados, essa despesa é predominante em praticamente todos os mandatos. Robinson Faria destinou R$ 105 mil à área, o maior valor absoluto na Câmara, seguido de Carla Dickson (R$ 94.972,00) e João Maia (R$ 84.400,00).
Destacam-se também Fernando Mineiro (R$ 60.601,06) e Sargento Gonçalves (R$ 64.550,00). Mesmo entre os que gastaram menos no total, como Natália Bonavides, a divulgação aparece como principal despesa (R$ 33.390,00).
No Senado, o padrão se repete, com Styvenson Valentim destinando R$ 149,5 mil à divulgação — mais de 80% de seus gastos na CEAP — e Zenaide Maia aplicando R$ 85.551,06 na mesma rubrica.
Os dois senadores, somados, investiram R$ 235.051,06 em comunicação institucional. A exceção é Rogério Marinho, que não utilizou recursos para divulgação, concentrando suas despesas em locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis (R$ 32.290,19), além de passagens e serviços de apoio ao mandato.
Robinson Faria lidera na Câmara e Styvenson Valentim no Senado; divulgação da atividade parlamentar concentra maior parte das despesasQuando se observa o conjunto da bancada, o destaque da comunicação fica ainda mais evidente: apenas entre os maiores gastadores da Câmara e do Senado — Robinson Faria e Styvenson Valentim — foram R$ 254,5 mil destinados à divulgação da atividade parlamentar no primeiro quadrimestre do ano.
Esse tipo de gasto supera, em muitos casos, despesas estruturais como aluguel de veículos, manutenção de escritórios e combustíveis.
Gastos fora da CEAP no Senado
Além das despesas cobertas pela CEAP, os senadores também registram gastos que não entram nessa cota específica, como correios, consumo de material, passagens aéreas e impulsionamento de conteúdos em redes sociais.
Nesse recorte, a maior despesa entre os representantes do Rio Grande do Norte foi da senadora Zenaide Maia, que acumulou R$ 60.680,03 fora da cota.
O valor é puxado principalmente pelos gastos com passagens aéreas (R$ 50.525,17) e impulsionamento de mídias sociais (R$ 9 mil), itens que não entram na CEAP, mas são declarados separadamente.
Na sequência aparecem os senadores Styvenson Valentim (R$ 10.414,34) e Rogério Marinho (R$ 9.276,21) em despesas dessa natureza.
O que é a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP)
A CEAP é uma verba pública indenizatória que tem como finalidade custear despesas diretamente relacionadas ao exercício do mandato. Entre os itens permitidos estão passagens aéreas, aluguel de carros, combustível, manutenção de escritórios políticos, contratação de serviços e divulgação da atividade parlamentar.
No caso dos deputados federais, o valor mensal varia conforme o estado. Para o Rio Grande do Norte, o teto é de R$ 48.525,79 por mês, com possibilidade de acúmulo do saldo não utilizado ao longo do ano, o que explica picos de gastos em determinados meses, como os registrados em fevereiro e março por alguns parlamentares.
Já os senadores têm direito a uma verba indenizatória fixa de R$ 15 mil mensais, acrescida de um valor específico para transporte aéreo — no caso do RN, R$ 20.976,20.
Assim como na Câmara, os valores não utilizados pelos senadores podem ser acumulados e utilizados posteriormente dentro do mesmo exercício.
O ressarcimento funciona mediante apresentação de notas fiscais: o parlamentar realiza a despesa com recursos próprios e solicita o reembolso à Câmara ou ao Senado, desde que o gasto esteja dentro das regras.
Esse modelo permite controle posterior e transparência, uma vez que todas as despesas ficam disponíveis para consulta pública.
[0] Comentários | Deixe seu comentário.