3 de fevereiro de 2026
A investigação que nivelou o tabuleiro: quando todos passam a ter contas a prestar em 2026
Autor: Daniel Menezes
A operação que alcança o prefeito de Mossoró alterou de forma decisiva o equilíbrio do jogo eleitoral no Rio Grande do Norte. Até então, o cenário vinha sendo marcado por assimetrias claras: alguns pré-candidatos carregavam passivos evidentes de gestão, enquanto outros navegavam quase exclusivamente apoiados em indicadores positivos. Com a entrada de Allyson Bezerra no radar de uma investigação de grande repercussão, o tabuleiro se reacomoda. Não há mais candidaturas “imunes” ao escrutínio público — todos passam a ter algo concreto a explicar.
Álvaro Dias, por exemplo, já chega à disputa associado a um conjunto conhecido de problemas administrativos em Natal. Obras inacabadas, a engorda de Ponta Negra que não foi concluída no tempo prometido e o Hospital Municipal inaugurado sem condições reais de funcionamento formam um passivo político difícil de contornar. Trata-se de uma agenda negativa consolidada, fartamente documentada e já assimilada pelo debate público.
Cadu Xavier, por sua vez, carrega o ônus típico de quem representa um ciclo longo de poder. Oito anos de governo inevitavelmente produzem entregas relevantes, mas também desgaste político, decisões impopulares e erros administrativos. Esse é um passivo estrutural, quase natural, que faz parte do jogo democrático e que exige capacidade de balanço: defender acertos sem negar falhas.
A novidade do momento é Allyson Bezerra. Até aqui, sua imagem pública era fortemente ancorada em números positivos da gestão municipal e em uma narrativa de eficiência administrativa. A Operação Mederi, contudo, introduz um elemento novo e sensível: a necessidade de explicar fatos, afastar suspeitas e impedir que uma agenda negativa se consolide. Independentemente do desfecho jurídico — que deve respeitar o devido processo legal —, o impacto político é imediato. A simples existência da investigação quebra a assimetria que antes o favorecia.
O resultado é um cenário eleitoral mais nivelado, menos maniqueísta e mais complexo. Não há mais o candidato “sem passado” enfrentando adversários carregados de problemas. Todos entram na disputa com histórias, contradições e passivos distintos, que precisarão ser enfrentados no debate público. A eleição de 2026, ao que tudo indica, será menos sobre narrativas imaculadas e mais sobre quem consegue explicar melhor o próprio legado — e convencer o eleitor de que seus problemas são menores que os dos outros.
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