31 de janeiro de 2026

Operação Mederi: prefeito de Mossoró se diz tranquilo e não teme CEI

Autor: Daniel Menezes

Tribuna do Norte - Em meio às investigações da Operação Mederi, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), afirma que todas as compras de medicamentos do município seguiram critérios legais, com processos digitais, rastreabilidade e amplo acesso aos órgãos de controle. Ele sustenta que não houve superfaturamento, desperdício ou interferência política nas licitações e destaca a implantação do sistema Horus como marco de transparência na gestão da saúde. O gestor diz estar tranquilo quanto às apurações da Polícia Federal e à possível abertura de uma CEI na Câmara Municipal, reafirmando que não há, nos autos, qualquer indício de pedido ou vantagem indevida envolvendo seu nome. Para ele, a investigação se baseia em falas de terceiros e será esclarecida com a análise completa da documentação já entregue às autoridades.

Operação
A Polícia Federal cumpriu, na terça-feira (27), 35 mandados no RN na Operação Mederi. Foram apreendidos 33 aparelhos celulares, 34 dispositivos eletrônicos — entre computadores, HDs, tablets e pen drives — e quatro veículos, além de 117 documentos, que serão analisados no curso das investigações que aponta fraudes em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. Ainda foram apreendidos R$ 251 mil em espécie, em sete endereços diferentes.

 

Pelo menos cinco cidades do Estado estão na mira da PF e da CGU. Mossoró foi a cidade que concentrou o maior volume financeiro entre os municípios investigados, com R$ 9,58 milhões (71,8%) pagos às empresas.

Os medicamentos comprados às empresas distribuidoras citadas na Operação Mederi chegaram ao município de Mossoró?
Todo medicamento quando chega de forma imediata na farmácia central e entregue por qualquer fornecedor, entra no sistema chamado Horus, um sistema eletrônico do governo federal, porque em 2023 por minha iniciativa, solicitei à Secretaria de Saúde que implantasse o sistema, que dá rastreabilidade, sabe medicamento que entra, sabe o que sai, sabe quem utilizou esse medicamento. Assinei decreto na época, implementando esse sistema na gestão, para que ficasse de forma muito clara e direta, que nenhum medicamento chegasse sem de fato saber onde entrou e para onde foi, um sistema de acompanhamento e monitoramento que garante transparência e que os órgãos de controle podem ter acesso aos dados desse sistema.

 

O controle interno da própria prefeitura chegou a verificar se houve superfaturamento na aquisição de medicamentos?
Na operação estão sendo investigadas cinco prefeituras, não é só apenas a prefeitura de Mossoró, a empresa está sendo investigada e deve ser investigada. As cinco prefeituras estão sendo investigadas, devem ser investigadas, mas no tocante a Mossoró, todas as licitações e todos os contratos são feitos de forma eletrônica, formato digital, o chamado pregão eletrônico. Por que a gente fez isso? Porque lá atrás, assim que assumi a prefeitura de Mossoró, eu vi a necessidade de eliminar os papéis e as licitações feitas através de envelope, ou seja, em Mossoró, a gente estava com a segurança realmente muito forte, que todas as licitações são formado eletrônico, ou seja, o cidadão, os órgãos de controle, TCU, TCE, Ministério Público, CGU, todos conseguem ter acesso a todo o processo da licitação, que é feito de forma muito pública, e ganha aquela empresa que oferta o menor preço, que oferta o menor preço na licitação.

 

Os técnicos da prefeitura chegaram a verificar se houve desperdício de medicamentos entre 2021 e 2025?
Não teve nenhum tipo de relato, pelo menos que chegou até o gabinete da prefeitura de Mossoró, no tocante a desperdício, no tocante a datas ou a prazos. Como falei, tudo é feito através de sistemas e o próprio sistema, inclusive, dá alertas no tocante a datas, no tocante a estoque, é no próprio sistema. Então, com formato eletrônico, ou seja, os próprios órgãos de controle, vão ter acesso tanto ao sistema no tocante às notificações.

Mesmo com a auditoria de controle externo, o senhor já tomou alguma decisão, ou tem orientação no sentido de fazer alguma auditoria interna, devido a essa investigação?
O sistema é auto-auditável, pode ser auditado a qualquer momento, não só pela prefeitura e faço questão que os órgãos de controle analisem toda a documentação que já foi entregue pela prefeitura de Mossoró, inclusive foi entregue antes do prazo que foi solicitado pela Justiça, para que ao analisar toda essa documentação, vai conseguir ver de forma muito clara todo trâmite que aconteceu na prefeitura de Mossoró durante todo esse tempo.

 

Que documentos o senhor entregou às 10 horas de quarta-feira (28) à Polícia Federal?
Às 9h40 da manhã, na quarta-feira, antes do prazo que foi dado, inclusive, pela Justiça, toda a documentação, no tocante às licitações, aos contratos, às ordens de serviço, de despesa, aos empenhos, tudo que envolve ou está envolvido, de fato, no processo em si de compra e aquisição e medicamentos, tudo isso foi entregue para que a Polícia Federal possa cumprir o seu papel de investigação.

O senhor teve acesso ao conteúdo da operação?
Já tivemos acesso através dos nossos advogados, que já estudaram boa parte do processo, e aquilo que está no processo e aquilo o que a própria imprensa já noticiou, de forma muito clara e que mostra, de forma muito objetiva, que não há nenhum tipo de pedido meu, fala minha, ou não há nenhum tipo de autorização minha para que outra pessoa pedisse qualquer tipo de recurso, de valor ou de vantagem pessoal. E reafirmo que não há nos autos do processo, não há, não é porque não está só nos autos, não há porque não existe, não existe nenhum tipo de pedido meu, nenhum tipo de autorização minha para que alguém fizesse pedido em meu nome.

 

Então o senhor acha que o que está no contexto das investigações são ilações apenas?
O que há são conversas de terceiros que, com certeza, terão que explicar no devido processo legal, e terão que explicar toda aquela situação daquele recorte de áudio que foi feito.

As pessoas que são servidores da Prefeitura, que são citadas nesse processo, continuam nas mesmas funções, por quê?
Primeiro, foi o seguinte: a própria Justiça, no ato da decisão, em nenhum momento afastou nenhum tipo de servidor do dia a dia da Prefeitura de Mossoró e eu acredito que fez isso porque de fato não encontrou nenhum argumento que desse a condição de afastar esses servidores. Então os servidores continuam, até porque foi uma decisão da Justiça, continuam trabalhando na Prefeitura de Mossoró.

Segundo os autos, em 2022 tinha sido feita contratação e pagamento de R$ 1.27 milhões e deu um salto para R$ 5,86 milhões durante a sua campanha eleitoral de reeleição em 2024.
É importante dizer, todas as contratações podem ser de forma clara consultadas pelo portal da transparência do município de Mossoró, e é importante pontuar. Nós estamos falando que está fazendo um recorte específico de uma determinada empresa, não é o volume completo de medicamentos. No volume completo da compra ou aquisição de medicamentos, tem um orçamento que inclusive é aprovado pela Câmara Municipal de Mossoró em uma rúbrica específica. É importante pontuar. Toda compra de medicamentos do município de Mossoró, ela recebe uma rúbrica específica que é aprovada desde o orçamento de um ano para o outro pela própria Câmara Municipal. E dentro de um orçamento que é público, que é enviado inclusive para o Tribunal de Contas do Estado. Então, a nossa tranquilidade durante todo esse processo, de tudo que está acontecendo, é porque eu acredito muito que pelo fato da gente ter colocado determinado, lá em 2023 ainda, que tudo na Prefeitura de Mossoró fosse feito com formato eletrônico, digital, com rastreabilidade, com monitoramento, com fiscalização, com controle, e foi eu que pedi que a Controladoria Geral de Mossoró fizesse toda a fiscalização, em todo momento. Há uma série de documentos, meus, assinados por mim, solicitando e determinando que a Controladoria sempre investigasse, apurasse e que fizesse o controle de tudo que é medicamento, farmácia e de outras questões também. Então, isso tudo vai ser apresentado dentro do processo. Daí a nossa tranquilidade para poder estar aqui se posicionando.

 

A bancada de vereadores da oposição já colheu seis assinaturas, falta só uma, para abrir uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), na Câmara Municipal, para investigar o caso de corrupção na saúde de Mossoró, como o senhor avalia essa questão?
A sugestão que eu dou aos vereadores é que solicitem a cópia integral à Polícia Federal e à Justiça Federal de tudo o que a Prefeitura já analisou e entregou para essas instituições, e ao solicitarem essa cópia, que se depender de autorização do município, a gente pode repassar também, se a Justiça permitir, para que faça-se a devida conferência de toda essa parte documental.

Então o senhor está tranquilo quanto à abertura de uma investigação na Câmara Municipal?
Totalmente tranquilo, não só quanto a essa, mas toda investigação, porque acredito nas instituições e na Justiça e acredito muito que a gente vai ter a condição de mostrar diante de todo o processo a idoneidade, a lisura do processo, mas as ideias que tivemos de gestão para aumentar a transparência na prefeitura de Mossoró.

 

Os quatro partidos que apoiam sua pré-candidatura a governador do Estado emitiram nota de solidariedade ao senhor, mas nas redes sociais, como já é usual, não tem nenhuma manifestação de apoio dos presidentes de partidos.
Todos os presidentes de partidos, deputados, uma série de amigos e prefeitos, todos me ligaram, me mostraram toda a solidariedade, toda a atenção e a confiança, mas num momento certo, do ponto de vista político, acredito que nós vamos ter um momento muito em breve de discutir, de continuar discutindo o Estado do Rio Grande do Norte e aí nesse momento certo, eu acredito nesses próximos dias aí que nós vamos ter cada um colocando de forma pública, de forma muito clara o seu pensamento para o Estado e para esse projeto político que a gente representa também.

Parece que o senhor não concedeu nenhuma entrevista coletiva em Mossoró sobre essa investigação na saúde, mas esteve três dias em Natal abordando essa questão.
Eu vou não só a Mossoró, é minha cidade, faço questão de dizer que toda cidade do estado do Rio Grande do Norte, onde tiver uma rádio, um blog, uma TV, se me chamarem, eu irei, sabe por quê? Porque eu não devo, porque eu não temo, e eu faço questão de fazer aqui ó, olho no olho do cidadão. Então assim, aonde tiver um rádio nesse estado, que me dê a oportunidade, eu irei. Eu não sou dono de rádio, eu não sou dono de TV, eu não sou dono de jornal, não sou dono de blog. O que eu tenho é um celular pra poder divulgar pelas minhas redes sociais aquilo que eu estou fazendo dia a dia, e dependo da abertura da imprensa, da mídia, pra que me dê a oportunidade que eu possa falar. Eu posso explicar e eu posso ser inclusive, questionado, interrogado sobre qualquer assunto.

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