31 de janeiro de 2026

Aldo Rebelo lança pré-candidatura e critica STF e política ambiental

Autor: Daniel Menezes

O ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo (DC) lançou neste sábado (31) sua pré-candidatura à Presidência da República com um discurso centrado em críticas ao STF, à legislação ambiental e ao que classificou como um "bloqueio institucional" ao desenvolvimento do país. O ato ocorreu em São Paulo e marcou a consolidação de sua guinada política à direita após décadas de atuação na esquerda.

Figura histórica do PCdoB, partido ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, Aldo Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e ocupou ministérios estratégicos nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Nos últimos anos, porém, rompeu com esse campo político, aproximou-se do bolsonarismo e agora tenta construir um projeto próprio ao lançar-se como pré-candidato pelo partido conservador Democracia Cristã.

Pré-candidatura de Aldo pelo DC consolida sua guinada à direita, após décadas de militância na esquerda.

Pré-candidatura de Aldo pelo DC consolida sua guinada à direita, após décadas de militância na esquerda.Bruno Santos/Folhapress

 

Problema institucional

Em seu discurso, Rebelo afirmou que o Brasil vive um "desequilíbrio entre os Poderes" e que o Supremo teria extrapolado suas atribuições constitucionais. "Não é um problema pessoal, é um problema institucional", disse, ao afirmar ter apreço por ministros da Corte, mas defender limites mais claros à atuação do Judiciário. Segundo ele, o STF "não pode ser um poder acima dos demais".

O pré-candidato citou decisões recentes do Supremo que contrariaram posições do Congresso, como o julgamento do marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Rebelo lembrou que, durante seus 24 anos como deputado federal, o entendimento original sobre o tema nunca havia sido contestado. Para ele, a decisão do STF gerou insegurança jurídica ao derrubar uma norma aprovada pelo Legislativo. "O Congresso aprovou uma lei dizendo que o marco temporal estava em vigor, e o Supremo revogou essa norma. Hoje convivemos com duas normas contraditórias", afirmou.

Política ambiental e indígena

Aldo Rebelo também direcionou críticas à política ambiental e indigenista, defendendo a ampliação da exploração de recursos naturais e a redução de restrições legais. Em sua avaliação, o país inviabiliza o próprio crescimento ao limitar a atividade econômica em áreas com potencial mineral e energético. "O Brasil criminalizou o empreendedorismo. Sem resgatar a confiança de quem produz riqueza, não há caminho", disse, ao defender um "choque de investimento privado" diante da limitação de recursos públicos.

O ex-ministro comparou o Brasil a outros países na exploração mineral, citando a Venezuela ao tratar da produção de ouro, e criticou o que chamou de bloqueio à exploração legal, que, segundo ele, favorece a atividade clandestina. Também atacou a atuação de órgãos ambientais e a demarcação de terras indígenas em áreas consideradas produtivas, especialmente na região Norte. "O Brasil não é um país pobre, é um país bloqueado", resumiu.

A trajetória de Aldo Rebelo evidencia a mudança de posição política que agora marca sua pré-candidatura. Além de deixar o PCdoB em 2017, ele passou por partidos como PSB, PDT, Solidariedade e MDB, e nos últimos anos adotou posições alinhadas à direita, incluindo a defesa de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Rebelo chegou a convidar o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, do governo Bolsonaro, para compor sua chapa como vice.

De Alagoas para o Planalto

Natural de Alagoas, o jornalista Aldo Rebelo começou sua trajetória política no movimento estudantil e exerceu o mandato federal por São Paulo. Nascido em 23 de fevereiro de 1956, foi ministro da Defesa, da Ciência e Tecnologia, do Esporte e das Relações Institucionais, além de presidir a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. Apesar da longa trajetória política, seu nome aparece com baixos índices nas pesquisas eleitorais. Levantamento Genial/Quaest divulgado em dezembro de 2025 apontou intenção de voto entre 1% e 2%, a depender do cenário.

O Democracia Cristã, legenda pela qual concorre, não possui bancada no Congresso Nacional. Fundado em 1995 como Partido Social Democrata Cristão (PSDC), o partido ganhou novo nome em 2017. A legenda é conhecida pelas reiteradas participações em campanhas presidenciais de seu fundador, o ex-deputado José Maria Eymael. Atualmente é presidido pelo também ex-deputado João Caldas, de Alagoas, como Aldo Rebelo. Caldas é pai do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC.

Com o lançamento da pré-candidatura, Rebelo se soma a um campo fragmentado da direita e tenta se apresentar como alternativa ao atual arranjo institucional, apostando em um discurso de enfrentamento ao STF, crítica às políticas ambientais e defesa da exploração econômica como eixo central de sua proposta para o país.

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