29 de janeiro de 2026
POR QUE NÃO É QUESTIONADO? Álvaro Dias fala em “gestão” ao Governo, mas deixou R$ 672 milhões na previdência, R$ 862,9 milhões em dívidas e dezenas de obras inacabadas em Natal
Autor: Daniel Menezes
Sempre que o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias ocupa espaço na imprensa para criticar as contas do Governo do Estado, o faz como se fosse referência em gestão fiscal e administrativa. O problema é que os próprios números e relatórios públicos contam outra história — e esse passado raramente é lembrado nos palcos midiáticos.
Relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) apontam que, sob a gestão de Álvaro Dias, a Prefeitura de Natal deixou de repassar contribuições previdenciárias ao regime próprio dos servidores, acumulando um déficit que já ultrapassou os R$ 672 milhões em obrigações não liquidadas no período recente de sua administração.
Esse rombo previdenciário, ainda segundo constatações do TCE-RN e reportagens do Potiguar, G1 e Saiba Mais, foi acompanhado de inadimplência do município com o NatalPrev, ou seja, a Previdência municipal ficou sem receber os valores devidos, comprometendo a sustentabilidade do sistema e a segurança dos servidores. Álvaro, cabe lembrar também, instituiu prática de só pagar o salário do mês de dezembro dos servidores no ano posterior corrente.
Ao final de seu governo, a comissão de transição do seu próprio indicado Paulinho Freire identificou que a Prefeitura de Natal deixou um passivo de R$ 862,9 milhões em restos a pagar, sendo R$ 349,8 milhões processados e R$ 513 milhões não processados, além de 46 obras “paralisadas ou inacabadas” no município — números que foram públicos e apresentados ao TCE-RN.
Esse rastro inclui equipamentos como o Hospital Municipal de Natal, inaugurado à época como “concluído”, mas que permanecia sem funcionar meses depois, aguardando complementos de obra e adaptação, bem como obras de requalificação urbana e mercados populares que ficaram sem conclusão efetiva sob sua gestão.
Diante de um quadro com déficits previdenciários históricos, passivos financeiros elevados e uma série de obras entregues sem funcionamento ou inacabadas, surge a pergunta essencial: por que esse histórico não é confrontado quando Álvaro Dias se apresenta na imprensa como exemplo de gestão? Por que não se pergunta, com a mesma intensidade com que ele critica as contas estaduais, sobre os números que foram deixados na capital potiguar?
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