• Redação
  • 11/06/2026

Vorcaro não admite propina e delação trava na PF e PGR

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta dificuldades para avançar com sua proposta de delação premiada junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. A principal barreira é sua resistência em reconhecer os atos que cometeu como crimes. A apuração é de Monica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Cinco interlocutores do ex-banqueiro, da área jurídica e empresarial, ouvidos pela coluna, afirmam que Vorcaro acredita ter atuado dentro das regras do ambiente político e de negócios. Ele atribui sua situação a adversários que “trabalharam por sua desgraça”, não aos próprios atos.

O pagamento de R$ 129 milhões ao escritório de Viviane de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, seria, na visão de Vorcaro, uma contratação comum. Ele a compara a práticas de outras empresas que contratam escritórios ligados a magistrados de tribunais superiores.

Despesas pagas ao senador Ciro Nogueira e o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro seriam, segundo ele, relações legítimas entre empresários e políticos. Vorcaro classificava esses vínculos como estratégia de dissuasão de adversários, não como pagamento de propina.

A PF e a PGR consideram as informações prestadas por Vorcaro precárias, seletivas e insuficientes para fechar um acordo. Um dos interlocutores resume: “a ficha dele está caindo muito lentamente”.

Sob pressão dos dois órgãos, Vorcaro começa a rever a narrativa que apresenta às autoridades. Segundo o Estado de S. Paulo, ele já trocou o termo “amizade” por “propinas” ao descrever os repasses a Ciro Nogueira.

A PF não aceitará a proposta de colaboração nos termos atuais e exige novas informações. A continuidade do acordo depende de Vorcaro mudar, ao menos formalmente, sua interpretação sobre os atos que praticou.