Vorcaro interferiu em matérias do Metrópoles, Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR e manteve relações financeiras com DCM e CartaCapital, revela UOL
Reportagens publicadas pelo UOL revelam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, montou uma rede de influência sobre veículos de imprensa para proteger seus interesses financeiros e políticos. Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro interferia em manchetes, alterava reportagens e tentava impedir publicações negativas. No Metrópoles, que mantinha contrato publicitário de R$ 20 milhões com o Master, pelo menos 14 matérias foram encaminhadas antecipadamente a Vorcaro, das quais 11 sofreram alterações após suas solicitações.
A interferência atingiu diretamente a cobertura sobre o Banco Central, contrário à venda do Master ao BRB. Vorcaro conseguiu alterar uma manchete para sugerir que a aprovação da operação era iminente e interferiu em reportagem sobre Renato Gomes, diretor do BC contrário ao negócio. Também tentou reduzir a exposição de Ricardo Cappelli, crítico da operação e ligado à esquerda. Em uma das conversas, a dirigente do Metrópoles, Lilian Tahan, respondeu a um pedido do banqueiro: "Deixa comigo".
Segundo o UOL, a influência também alcançava Brazil Journal, IstoÉ, IstoÉ Dinheiro e PlatôBR. O Diário do Centro do Mundo (DCM) teria recebido pagamentos para evitar notícias negativas sobre o banqueiro, enquanto a CartaCapital aparece em negociações financeiras e patrocínios ligados ao Master, sem evidências divulgadas do mesmo grau de interferência editorial. As revelações expõem como o poder econômico pode comprometer a independência jornalística e transformar parte da imprensa em instrumento de pressão política e defesa de interesses privados.