• Redação
  • 21/10/2026

Vorcaro acusa Ibaneis de cobrar R$ 400 milhões em propina e afirma ter pago R$ 80 milhões; mensagens revelam atuação do ex-governador no negócio BRB-Master

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) participou diretamente das articulações para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas nesta quarta-feira (21) pelo UOL, em reportagem de Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião. Em uma proposta de delação premiada, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que Ibaneis teria exigido R$ 400 milhões em propina para viabilizar a operação. Desse montante, R$ 80 milhões teriam sido antecipados em dinheiro vivo, por intermédio do empresário Leonardo Valverde, apontado como braço direito do ex-governador. As acusações ainda não foram comprovadas judicialmente.

Segundo a reportagem, o suposto acordo previa que metade dos R$ 400 milhões fosse paga em espécie e a outra metade por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado por Ibaneis. Vorcaro também afirmou que o então governador receberia 5% do novo banco por intermédio de uma empresa de fachada. Mensagens analisadas pela PF mostram que o motorista do banqueiro realizou pelo menos dez entregas de encomendas a uma pessoa identificada como "Léo" ou "Dr. Léo", que os investigadores suspeitam ser Leonardo Valverde. Paralelamente, Ibaneis acompanhava as negociações, autorizava aumentos de capital e mantinha contato com os responsáveis pela operação. O BRB chegou a adquirir R$ 9,5 bilhões em carteiras de crédito do Master, parte delas posteriormente apontada como irregular.

A investigação revela ainda que Ibaneis participou de encontros com Vorcaro em Brasília e na Suíça, acompanhou a tentativa de aquisição de 58% do Master e atuou nas articulações mesmo diante das resistências do Banco Central, que acabou vetando o negócio em setembro de 2025. A defesa do ex-governador nega qualquer irregularidade, afirma que ele não interferia nas decisões do BRB e contesta a credibilidade da proposta de delação, que não foi aceita. O caso levanta questionamentos sobre a relação entre poder político, bancos públicos e interesses privados, especialmente diante das suspeitas de que recursos e decisões de uma instituição estatal tenham sido utilizados para favorecer negócios de um banco que enfrentava graves problemas financeiros.