• Redação
  • 03/10/2026

TENTATIVA DE CRIAR TUMULTO - Lula pede que TSE investigue suspensão de serviços da Embaixada dos EUA

Do Metrópoles - A campanha do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares presenciais no Brasil seja incluída nas investigações da Corte sobre suposta interferência externa nas eleições brasileiras.

Protocolado na sexta-feira (2/10), o pedido da campanha petista ressalta que a medida foi tomada a dois dias do primeiro turno das Eleições 2026.

Segundo a ação, a decisão dos EUA “projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito”.

“Estes fatos apenas são mais um desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norte-americano, articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro”, acusa o pedido do Partido dos Trabalhadores (PT) e de partidos aliados.

O texto também menciona carta enviada pelos senadores dos EUA Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual alertam o governo Trump sobre os riscos de interferência nas eleições brasileiras deste domingo (4/10).

No comunicado, os parlamentares citam que o governo Trump utiliza “pressão diplomática, econômica e política” para “minar a confiança no processo eleitoral brasileiro”. Os senadores, do partido Democrata, questionam se o governo “se comprometerá a reconhecer o resultado oficial” das Eleições e a “manter relações diplomáticas normais” com o próximo presidente brasileiro eleito, independentemente de quem seja.

De acordo com a campanha petista, há “infraestrutura de intervenção externa” no processo eleitoral brasileiro, “organizada em três frentes articuladas: comunicacional, institucional e diplomática”.

A decisão do governo de Donald Trump foi comunicada na noite de quinta-feira (1º/10), sob o argumento de “questões de segurança”, que não foram detalhadas. Funcionários da Embaixada dos EUA em Brasília foram orientados a trabalhar de casa devido a uma “ameaça” recebida pela representação diplomática.

Com a medida, além da Embaixada na capital federal, foram suspensos – a partir dessa sexta-feira – os serviços dos consulados localizados em Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Até o momento, não há previsão para a retomada dos atendimentos presenciais.

Na tarde de sexta-feira, a Polícia Federal (PF) cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e no Entorno do Distrito Federal (DF) para apurar suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos EUA no Brasil.

No entanto, não foram identificados elementos que corroborem os riscos inicialmente apontados por autoridades norte-americanas. De acordo com a PF, as investigações prosseguem com a análise dos equipamentos de comunicação e mídias apreendidos e eventuais outras providências necessárias.

Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, a Embaixada dos EUA procurou a PF antes de anunciar a suspensão dos atendimentos. A corporação, então, comunicou o episódio tanto ao Palácio do Planalto quanto ao Itamaraty e abriu investigação sobre o caso.

Reações de outros países

Após o anúncio da Embaixada dos EUA, a representação diplomática da Austrália também divulgou o fechamento da embaixada na capital federal. A medida foi tomada com base na decisão norte-americana, sob a alegação de “preocupações com a segurança”.

Horas depois, o governo do Reino Unido emitiu alerta de viagem para o Brasil e citou a possibilidade de protestos durante as eleições. No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores britânico pediu que cidadãos do país evitem comparecer a comícios, protestos e manifestações políticas durante o período.

“O primeiro turno das eleições gerais no Brasil ocorrerá em 4 de outubro. O segundo turno está marcado para 25 de outubro. A cerimônia de posse presidencial será realizada em Brasília, no dia 5 de janeiro. Protestos e manifestações podem ocorrer em todo o Brasil sem aviso prévio, e a situação pode mudar rapidamente”, diz um trecho do comunicado.

O governo do Canadá se manifestou e atualizou, na sexta-feira, o alerta de viagem para o Brasil, incluindo informações sobre a segurança no país durante o período das eleições. A orientação também cita a decisão dos Estados Unidos.

A página canadense traz seção específica sobre as eleições gerais brasileiras. Segundo a orientação, podem ocorrer reuniões políticas, manifestações e aumento das medidas de segurança antes, durante e depois das eleições.

O governo canadense recomenda que seus cidadãos evitem manifestações e grandes aglomerações, sigam as instruções das autoridades locais e acompanhem os meios de comunicação.