Sucessão na Assembleia do RN: Kleber Rodrigues e o grupo de Ezequiel disputam espaço em cenários de vitória de Allyson ou Cadu
A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em 2027 começa a ser desenhada ainda durante o segundo turno para o Governo do Estado. De um lado, Kleber Rodrigues (PP), atual vice-presidente da Casa, aparece como nome ligado ao projeto político de Allyson Bezerra (União Brasil). Do outro, Ezequiel Ferreira (PSDB), que não poderá disputar novamente a presidência, articula sua sucessão e se tornou peça importante nas conversas com Cadu de Lula (PT). Há uma negociação para que o PT apoie um nome indicado por Ezequiel caso Cadu seja eleito governador. A informação, porém, não equivale a um acordo publicamente confirmado por todos os envolvidos.
O ponto central é que a nova Assembleia terá 24 deputados, distribuídos entre sete partidos, e nenhum deles terá maioria isolada. O PL elegeu sete parlamentares, enquanto PT e PP conquistaram quatro cadeiras cada. Portanto, a sucessão dependerá de acordos entre diferentes bancadas, e não apenas da vontade do futuro governador. A formação dos blocos partidários pode facilitar essas negociações, mas não significa que todos os integrantes votarão necessariamente no mesmo candidato.
No cenário de vitória de Allyson, Kleber Rodrigues poderia articular inicialmente os quatro deputados do PP e os dois do União Brasil, alcançando seis cadeiras. A inclusão do MDB elevaria esse conjunto a sete. Mesmo assim, seriam necessários entendimentos com o PL, o PSDB ou parlamentares de outras bancadas para construir uma maioria. O PL, com sete deputados, teria peso expressivo na negociação, embora seu comportamento não possa ser deduzido automaticamente do apoio dado a Álvaro Dias no primeiro turno.
No cenário de vitória de Cadu, a articulação passaria pelos quatro deputados do PT e três do PV, que juntos somam sete cadeiras. Um entendimento com os três deputados do PSDB, sob a liderança de Ezequiel, elevaria esse conjunto a dez. Ainda seriam necessários votos adicionais para uma maioria de 13 parlamentares. Nesse cenário, a negociação sobre a presidência poderia funcionar como instrumento de aproximação entre o novo governo e o grupo de Ezequiel.
Há uma diferença importante entre as duas articulações. Kleber Rodrigues é um candidato à presidência da Casa associado ao grupo de Allyson. Ezequiel, por sua vez, já preside a Assembleia, dispõe de relações construídas ao longo de sucessivos mandatos e pode tentar influenciar a escolha do sucessor mesmo sem disputar o cargo. Isso ajuda a explicar por que sua posição no segundo turno tem relevância que ultrapassa a disputa pelo Governo do Estado.
A sucessão legislativa, portanto, não será apenas uma reprodução da eleição para governador. Os deputados têm interesses próprios, compromissos partidários e relações políticas que atravessam os campos governista e oposicionista. O desafio de Kleber é transformar a proximidade com Allyson em uma maioria parlamentar; o de Ezequiel é converter sua influência na Casa em apoio a um sucessor de seu grupo. O resultado dependerá das negociações concretas entre as bancadas, inclusive das que hoje estão em campos eleitorais diferentes.