Só reduzir a abstenção não basta para Lula vencer: é preciso tirar votos de Flávio Bolsonaro
A aposta de que Lula vencerá apenas reduzindo a abstenção ignora a matemática eleitoral. No primeiro turno de 2026, a abstenção foi de 21,08%, contra 20,59% no segundo turno de 2022. Ou seja, mesmo que o comparecimento retorne ao patamar de 2022, o ganho seria de apenas 0,49 ponto percentual, cerca de 780 mil eleitores. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula, uma vantagem de 2.224.965 votos. Cada ponto percentual de abstenção representa aproximadamente 1,6 milhão de eleitores. Para superar essa distância apenas com novos comparecimentos, Lula precisaria reduzir a abstenção em cerca de 1,4 ponto percentual, supondo que todos esses votos fossem exclusivamente para ele, uma hipótese extremamente improvável.
A estratégia mais eficiente, portanto, não é apenas mobilizar quem ficou em casa, mas também conquistar eleitores de Flávio Bolsonaro. Cada voto retirado de Flávio e transferido para Lula tem efeito duplo: Lula ganha um e Flávio perde outro, reduzindo a distância em dois votos. É preciso desgastar o adversário, questionar suas propostas econômicas e convencer parte de seu eleitorado a mudar de lado. Reduzir a abstenção ajuda, mas não garante a virada. Sem conquistar votos hoje pertencentes ao adversário, Lula dependerá de uma combinação muito mais difícil de fatores.