• Redação
  • 29/05/2026

Sem apresentar estudo, Prefeitura tenta deslocar debate para a Caern após sequência de relatórios técnicos negativos do MPF, TCU, MIDR e FUNPEC/UFRN sobre a engorda de Ponta Negra

A Prefeitura do Natal passou a atribuir à Caern a responsabilidade por lançamentos de esgoto que estariam chegando à área da engorda de Ponta Negra, aplicando inclusive uma multa milionária e alegando a existência de problemas estruturais na rede de esgotamento. O ponto que chama atenção, porém, é que até o momento não foi apresentado publicamente um relatório técnico completo que sustente de forma detalhada as conclusões divulgadas pela gestão municipal. A própria companhia afirmou ter recebido a notificação sem o estudo técnico mencionado pela Prefeitura e declarou que suas equipes não encontraram irregularidades nas inspeções realizadas no local apontado. 

O movimento ocorre justamente após a divulgação, pela imprensa, de uma série de documentos e pareceres produzidos por órgãos como o Ministério Público Federal, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o Tribunal de Contas da União (TCU) e estudos vinculados à FUNPEC/UFRN, que levantaram questionamentos sobre aspectos técnicos da obra da engorda e, especialmente, sobre o sistema de drenagem associado ao projeto. 

Nesse contexto, a tentativa de concentrar o debate em supostos problemas da rede da Caern inevitavelmente levanta questionamentos políticos e técnicos: trata-se de uma nova evidência independente, respaldada por estudos amplamente disponibilizados, ou de uma ofensiva narrativa surgida em meio ao aumento das cobranças e das críticas direcionadas à própria execução e ao funcionamento da engorda de Ponta Negra? A ausência de divulgação integral dos documentos técnicos utilizados pela Prefeitura acaba alimentando essa discussão.