Seis dias depois, 71% ainda rejeitam comportamento de Flávio Bolsonaro com Vorcaro
Amado Mundo - Seis dias depois da revelação da negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro pelo financiamento multimilionário para o filme “Dark Horse”, 71,8% das repercussões nas redes sociais rejeitaram e criticaram o comportamento do senador.
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Um estudo da agência AtivaWeb DataLab sobre o episódio detectou mais de 301 milhões de impactos potenciais no período entre 13 e 19 de maio. O levantamento foi feito com dados públicos coletados via APIs de Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), TikTok, YouTube e ambientes digitais.
Outros 11,4% das repercussões foram de teor neutro ou informativo, enquanto 16,8% foram de defesa e apoio a Flávio. Mesmo com forte crescimento da rejeição e desgaste reputacional nas redes sociais, o pré-candidato do PL ganhou mais de 67 mil novos seguidores no Instagram durante o período.
Segundo a AtivaWeb, contudo, o crescimento do número de seguidores não significa, necessariamente, fortalecimento da imagem. O estudo identificou um comportamento típico de crises hiperconectadas modernas, envolvendo crescimento massivo de busca orgânica, aumento simultâneo de rejeição e audiência, fortalecimento de bolhas ideológicas, explosão de memes e ironias, entrada do mercado financeiro no debate e ampliação algorítmica por conflito emocional.
A análise identificou, ainda, um aumento expressivo no uso de termos ligados a “rejeição”, “corrupção”, “Banco Master”, “investigação”, “CPMI”, “lavagem”, “crise financeira”, “blindagem política”, entre outros. O termo “BolsoMaster” virou um gatilho algorítmico de alta viralização.
Mercado financeiro e impulsionamento algorítmico
Parte do estudo feito pela AtivaWeb analisa a evolução digital do caso durante o período. O levantamento constatou a entrada do mercado financeiro no debate no terceiro dia.
De acordo com a agência, a crise ultrapassou o ambiente político e gerou percepção de instabilidade institucional, acarretando Ibovespa em forte volatilidade, dólar de volta acima da faixa dos R$5, aumento do risco político percebido e investidores reduzindo exposição ao Brasil.
A AtivaWeb reforça que o mercado reagiu não apenas ao conteúdo dos vazamentos, mas ao simbolismo do caso envolvendo política, sistema financeiro, pré-campanha presidencial, escândalo bancário e a possibilidade de novas revelações, passando a tratar o caso como fator de risco político.
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Outra análise feita pelo estudo foi a da ampliação algorítmica do tema. O levantamento identificou que as plataformas impulsionam o assunto por esse gerar comentários rápidos, respostas emocionais, compartilhamentos, discussões polarizadas, memes e vídeos curtos de reação. Esses fatores motivaram a distribuição do tema pelo algoritmo mesmo após os primeiros dias da crise.
Segundo o CEO da AtivaWeb DataLab e colunista do Amado Mundo, Alek Maracajá, o algoritmo moderno deixa de recompensar reputação para recompensar atenção, conflito e movimento. “Na sociedade hiperconectada, crises políticas modernas não destroem apenas reputações. Elas também ampliam audiência, radicalizam bolhas e alimentam os próprios algoritmos das plataformas”, complementa.