Se Flávio Bolsonaro vencer, a duplicação da BR-304 pode parar? O risco dos cortes de R$ 250 bilhões precisa ser debatido
A equipe econômica de Flávio Bolsonaro trabalha com a possibilidade de um ajuste fiscal da ordem de R$ 250 bilhões. Ora, mora no jardim de infância quem acredita que é possível promover um corte dessa magnitude, reduzir impostos e, ao mesmo tempo, preservar integralmente as áreas fundamentais do orçamento. A redução de regalias e privilégios pode ser importante, mas seu impacto é insuficiente diante de um ajuste dessa dimensão. E, se a redução de impostos diminuir a arrecadação, a necessidade de compensação fiscal será ainda maior. Não por acaso, conforme revelou a Folha de S.Paulo, integrantes da equipe de Flávio discutiram mudanças nas regras de reajuste das aposentadorias e do BPC, além dos pisos constitucionais da saúde e da educação. A campanha nega que essas medidas integrem seu programa oficial.
Outra possibilidade, concomitante à contenção das despesas obrigatórias, é reduzir investimentos públicos e desacelerar obras de infraestrutura. Afinal, quando um governo precisa economizar rapidamente, os investimentos costumam ser uma das parcelas mais vulneráveis do orçamento, justamente porque podem ser adiados com maior facilidade do que despesas obrigatórias. E isso nos leva a uma questão concreta para o Rio Grande do Norte: se Flávio Bolsonaro vencer, a duplicação da BR-304 poderá ser interrompida ou desacelerada? A obra, retomada e ampliada durante o governo Lula, já teve 12 quilômetros de pistas duplicadas liberados entre Mossoró e Assú, além de contar com outros trechos em execução. Trata-se de um investimento estratégico para a economia potiguar, para o escoamento da produção e para a segurança de quem utiliza a rodovia.
Não estou afirmando que Flávio Bolsonaro interromperá a duplicação da BR-304. Estou dizendo que essa é uma possibilidade que não pode ser descartada sem conhecer os detalhes do ajuste fiscal proposto. Se o objetivo é economizar R$ 250 bilhões e simultaneamente reduzir impostos, de onde sairão os recursos? Da Previdência? Da saúde? Da educação? Dos investimentos em infraestrutura? É perfeitamente legítimo defender o equilíbrio das contas públicas, mas é necessário explicar quem pagará a conta. O eleitor do Rio Grande do Norte tem o direito de saber se a duplicação da BR-304 estará protegida dos cortes prometidos. Não basta anunciar uma economia bilionária e assegurar genericamente que nada de essencial será atingido. É preciso apresentar números, prioridades e compromissos concretos.