Rogério Marinho minimiza inquérito sobre repasses ao filme Dark Horse
DO SAIBA MAIS - O senador Rogério Marinho (PL), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, minimizou a notícia da abertura de inquérito para investigar repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao filme “Dark Horse”, e disse que recebeu a informação “com tranquilidade”.
“Recebemos a decisão com tranquilidade e temos certeza de que a investigação demonstrará a inexistência de qualquer ato ilícito”, afirmou o senador em nota encaminhada à imprensa.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal. Os investigadores querem saber se houve possíveis irregularidades no direcionamento de aproximadamente R$ 61 milhões pagos por Daniel Vorcaro. Os recursos teriam sido solicitados pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o custeio do longa-metragem.
Em junho, em entrevista ao jornal O Globo, Marinho reconheceu que a revelação do caso “Dark Horse” causou abalo à campanha e provocou efeito negativo na trajetória nas pesquisas de intenção de voto. À época, no entanto, o senador minimizou a queda nos números e afirmou que “uma campanha não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”.
Em 22 de maio, dias após a revelação das conversas, pesquisa Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem em intenção de votos Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois pré-candidatos saiu de três para nove pontos percentuais, em comparação com o levantamento anterior, de 13 de maio.
Naquele mês, em 13 de maio, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.
Já em 19 de maio, Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.
Até então, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.
Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.