Relatório da FUNPEC/UFRN aponta que falhas na drenagem estão destruindo a engorda de Ponta Negra e acelerando a erosão no Morro do Careca
O relatório da FUNPEC/UFRN publicado inicialmente pelo jornalista Rafael Barbosa, do derepentcast, lança um alerta direto: o principal problema da engorda de Ponta Negra não está apenas na ação do mar, mas na forma como grandes volumes de água da drenagem urbana continuam chegando à praia. Segundo os pesquisadores, a concentração dessas águas tem provocado rompimentos, alagamentos e a retirada acelerada da areia depositada pela obra, especialmente na região do Morro do Careca. A lagoa, chamada pela prefeitura de "espelho dágua", aliada a voçoroca, são problema; não solução.
O documento registra pelo menos quatro episódios críticos ocorridos após a conclusão da engorda. Em diferentes momentos, chuvas intensas e o acúmulo de água abriram canais erosivos (voçorocas), romperam trechos da faixa de areia e criaram novos caminhos para que a água escorresse em direção ao mar. O resultado foi a remoção de grandes quantidades de sedimentos justamente na área que deveria estar mais protegida pela intervenção.
A conclusão dos pesquisadores é clara: os dissipadores instalados não têm sido suficientes para conter a força da drenagem. O relatório afirma que o fluxo de água proveniente da cidade continua chegando ao Morro do Careca com intensidade capaz de superar a estrutura criada pela engorda, acelerando a erosão e comprometendo a estabilidade da praia. Os técnicos também apontam que o problema pode ser agravado por descartes contínuos de água e outras sobrecargas no sistema de drenagem.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Apenas na região do Morro do Careca, mais de 111 mil metros cúbicos de areia desapareceram em um ano. Em alguns pontos, o recuo da faixa de areia chegou a cerca de 70 metros. Em termos práticos, significa que áreas que estavam protegidas logo após a obra passaram a ficar novamente expostas ao avanço do mar.
Talvez a advertência mais importante do relatório seja a de que, sem intervenções específicas para controlar a drenagem urbana, a tendência é de agravamento do problema. A FUNPEC conclui que a erosão observada no Morro do Careca não decorre apenas de fenômenos naturais. Ela está sendo intensificada por falhas no controle das águas que descem da cidade para a praia, transformando a drenagem em um dos principais fatores de desgaste da engorda de Ponta Negra.