• Redação
  • 19/06/2026

PT na Câmara cobra CPMI do Master após ação da PF contra Jaques Wagner

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), se pronunciou por meio de nota nesta quinta-feira (18), em nome da bancada, sobre o mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal na última manhã na residência do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A diligência busca apurar indícios de beneficiamento com a fraude financeira atribuída ao Banco Master.

Segundo a liderança, o episódio envolvendo o parlamentar reforça "mais uma vez a necessidade de instalação da CPMI do Banco Master no Congresso Nacional" e demonstra "a determinação do Presidente Lula de que a PF tenha todas as condições técnicas e políticas para proceder investigações com total autonomia dentro de suas prerrogativas constitucionais".

A bancada, por outro lado, enfatizou que defende que uma futura comissão também investigue o grupo político adversário. "Queremos o aprofundamento das investigações da PF para esclarecer onde estão os R$ 61 milhões que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exigiu do banqueiro preso, Daniel Vorcaro", afirma a nota.

No caso específico de Jaques Wagner, os deputados reforçaram que o parlamentar "deve ter assegurada a presunção de inocência" e anteciparam que o líder "vai exercer seu amplo direito de defesa para oferecer as explicações necessárias, com base em sua respeitada trajetória política na condição de deputado federal, governador de estado e senador da República".

Liderança do PT enfatizou o direito de Jaques Wagner à presunção de inocência.Lula Marques/ Agência Brasil

Investigação contra Wagner

Jaques Wagner foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero. O senador é investigado como possível beneficiário de vantagens econômicas decorrentes do esquema de fraude financeira atribuído ao Banco Master.

Conforme decisão do ministro André Mendonça, do STF, a PF identificou indícios de que benefícios teriam sido direcionados ao parlamentar, de forma direta ou indireta, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo investigado.

Entre as vantagens citadas estão a possível aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa associada ao seu núcleo familiar, uso de aeronaves vinculadas ao Master e o pagamento de ingressos para um show no exterior, no valor de R$ 63,3 mil, destinados a familiares do senador.

Na residência do parlamentar, em Brasília, foram apreendidos envelopes contendo US$ 49 mil em espécie, além de relógios de luxo e aparelhos celulares.

A interlocução entre Wagner e a instituição financeira teria sido intermediada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Para a PF, a relação entre ambos seria antiga, próxima e marcada por confiança pessoal, o que teria favorecido tratativas reservadas em benefício dos interesses do Banco Master.

O congressista nega todas as irregularidades apontadas. Nesta tarde, afirmou ter visto o controlador do Master apenas duas vezes, que sua relação com Augusto Lima sempre se restringiu a assuntos lícitos e que o dinheiro encontrado em sua casa era declarado e havia sido pago pelo próprio Senado para ressarcimento de despesas em viagens oficiais.

Em nota, reiterou que "não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados" e acrescentou que "acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas".