Psol e PT pedem à PGR que investigue Mário Frias por rachadinha
O Psol e a bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiram acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Conselho de Ética contra o deputado Mário Frias (PL-SP) por suspeita de envolvimento em um esquema de rachadinha no gabinete parlamentar. As representações foram motivadas por reportagem do portal G1 que revelou transferências bancárias e pagamentos feitos por uma ex-assessora do deputado.
Mário Frias é produtor do filme sobre Bolsonaro.Bruno Spada/Agência Câmara
A representação criminal do Psol foi apresentada neste sábado (23) pelo deputado Chico Alencar (RJ). Segundo a denúncia, a ex-assessora Gardênia Morais, que trabalhou no gabinete de Frias entre 2023 e 2024, devolvia parte do salário ao então chefe de gabinete do parlamentar e também arcava com despesas pessoais da família do deputado.
De acordo com os comprovantes obtidos pelo G1, Gardênia pagou uma fatura de cartão de crédito da esposa de Mário Frias e realizou um PIX de R$ 1 mil para a mãe do deputado. Os recursos teriam saído da conta em que a ex-funcionária recebia salário da Câmara.
"O deputado sabia, o deputado estava ciente de todas as devoluções. Foi um combinado inicial, o deputado sempre participa", afirmou Gardênia.
O atual chefe de gabinete de Frias, Diego Ramos, afirmou desconhecer as suspeitas e disse acreditar que o deputado também não tinha conhecimento dos repasses.
Suspeita de crimes
Na representação apresentada à PGR, Chico Alencar sustenta que o caso pode envolver crimes como concussão, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A bancada do PT também anunciou que apresentará notícia-crime à Procuradoria-Geral da República e representação ao Conselho de Ética da Câmara. Em nota, o líder do partido, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que os elementos divulgados apontam para "possível prática de rachadinha, com desvio de salários de assessores e utilização privada de recursos vinculados à atividade parlamentar".
Filme sobre Bolsonaro entra na mira
O PT também pediu investigação sobre uma emenda parlamentar destinada ao filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro e produzido executivamente por Mário Frias. Segundo o partido, há suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo recursos movimentados entre Brasil e Estados Unidos.
Pedro Uczai ainda questionou a viagem de Frias ao Bahrein sem autorização prévia da Mesa Diretora da Câmara. Segundo o parlamentar petista, o deslocamento teria ocorrido para retardar a ciência formal de uma intimação enviada pelo ministro Flávio Dino sobre esclarecimentos ligados ao filme e à relação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Relação com Vorcaro
Mário Frias voltou ao centro do noticiário nos últimos dias após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, Frias se refere ao banqueiro como "irmão" e "meu brother" e agradece pela ajuda financeira do banqueiro à produção do filme. Inicialmente, o deputado havia divulgado nota em que afirmava que não havia um centavo de Vorcaro ou do Banco Master no projeto. Posteriormente, ele mudou a versão.