Prestes a ser julgado, Eduardo pede aos EUA sanção a Moraes
Um dia antes do início de seu julgamento por coação no STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro cobrou pelas redes sociais nesta segunda-feira (15) que os Estados Unidos voltem a impôr sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. O magistrado apresentará seu parecer a partir das 14h desta terça-feira (16) na Primeira Turma.
A publicação de Eduardo no X está em inglês. Ele marca o presidente Donald Trump e os secretários Marco Rubio, do Departamento de Estado, e Scott Bessent, do Tesouro, e alega que a Corte quer condená-lo em “retaliação” contra Trump.
Eduardo apela ao governo americano para retomar as sanções revogadas em dezembro – em julho, o governo americano havia aplicado os efeitos da chamada Lei Magnitsky, que bloqueia bens e ativos mantidos pelo ministro nos Estados Unidos, além de restringir transações financeiras via empresas de cartão de crédito americanas.
“Secretário Rubio e secretário Bessent: a reinstalação das sanções contra o violador dos direitos humanos Alexandre de Moraes é necessária e urgente. Não sei quem aconselhou a suspensão dessas sanções, mas fazê-lo foi, no mínimo, um grave erro", diz Eduardo.🇧🇷🇺🇸 BRAZIL’S SUPREME COURT IS PREPARING TO CONVICT ME IN RETALIATION AGAINST PRES. TRUMP
This is how a political court operates - and Trump knows better than anyone how lawfare can be weaponized against political opponents.
President @realDonaldTrump , Secretary Rubio, and… pic.twitter.com/Ovy40L62On— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP)
A PGR pediu a condenação de Eduardo por entender que o ex-deputado tentou interferir no andamento do processo em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, terminou condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.
Eduardo se licenciou do mandato de deputado e passou a morar no Texas no início de 2025. Segundo ele, seu objetivo é denunciar as práticas de perseguição política pelo Judiciário brasileiro a autoridades dos EUA. Meses depois a Casa Branca anunciou a aplicação da Magnitsky contra Moraes e outros ministros sob a alegação de viés no julgamento do ex-presidente.
“Considerem a audácia de suas acusações: alegam que cometi um crime ao interagir com funcionários do governo americano. Tal alegação trata, na prática, o próprio governo Trump como se fosse uma organização criminosa. Eles desprezam a liberdade. Opõem-se aos valores representados pelo seu governo. E nutrem a mesma hostilidade em relação a vocês", afirma Eduardo.
A DPU, que representa Eduardo na ação penal, pediu o adiamento da sessão e também a convocação de um ministro da Segunda Turma para completar a cadeira vaga na Primeira, atualmente composta por Flávio Dino, presidente do colegiado, Moraes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Ambas as solicitações foram negadas pelo relator.