• Redação
  • 24/04/2026

Prefeitura insiste em chamar o piscinão da engorda de Ponta Negra de “Espelho d’água” e trata o cidadão como idiota

A explicação da Prefeitura de Natal para os alagamentos na engorda de Ponta Negra revela mais do que uma justificativa técnica, na verdade, escancara uma tentativa de rebatizar um problema evidente. Ao afirmar que os alagamentos são “espelhos d’água” e que fazem parte da solução de drenagem em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, o secretário de Meio Ambiente Thiago Mesquita tenta transformar um cenário visível de falha em algo aceitável. Segundo ele, essas lâminas d’água surgem quando chove acima de 40 mm e indicariam o funcionamento do sistema, que desacelera a água por meio de dissipadores antes de chegar ao mar .

O problema é que essa narrativa já não é nova e tampouco convincente. A própria gestão admite que o acúmulo de água pode gerar desconforto e que há estudos para melhorias, o que contradiz a ideia de que tudo funciona como deveria . Além disso, episódios recorrentes de alagamento, com formação de grandes poças e até apelidos como “piscinão da engorda”, mostram que a percepção da população vai na direção oposta à versão oficial . Chamar isso de “espelho d’água” não é apenas um eufemismo técnico, é um esforço de comunicação que subestima a experiência concreta de quem vê a praia alagada. O próprio secretário, além do ex-prefeito Álvaro Dias, disseram que, após a engorda, a faixa de areia seria de 50 metros em momento de chuva e/ou maré alta e 100 metros em dias normais. Basta olhar para a situação agora para enxergar que a situação está bem distante disto.

No fim, o debate deixa de ser técnico e passa a ser sobre credibilidade. E chamar alagamento de “espelho d’água” soa menos como explicação e mais como um teste à inteligência do público.