POÇO SEM FUNDO - Após MP apontar fissuras, infiltrações e baixo efetivo na obra, Hospital Municipal de Natal deve enfrentar novo aumento de custo e ampliação do cronograma de conclusão
A inspeção feita pelo Ministério Público no Hospital Municipal de Natal e divulgada pelo portal G1 reforça um histórico de sucessivos adiamentos e elevações no custo da obra desde o início do projeto. Conforme o MP, a estrutura hoje inacabada apresenta infiltrações e fissuras e a equipe de trabalho para finalização da construção é reduzida.
O equipamento, que chegou a ser inaugurado simbolicamente sem funcionamento pleno, teve cronogramas constantemente alterados pela própria Prefeitura do Natal. Em diferentes momentos, a gestão municipal anunciou prazos variados para conclusão e entrada em operação de etapas do hospital, incluindo previsões para 2024, depois início de 2025, posteriormente “fim do primeiro semestre de 2026” e outras datas intermediárias que acabaram não se confirmando.
Além da mudança recorrente no cronograma, o orçamento necessário para finalizar o hospital também cresceu ao longo do tempo. A própria Prefeitura e integrantes da gestão chegaram a mencionar cifras diferentes para conclusão da estrutura, variando de cerca de R$ 110 milhões solicitados à bancada federal até operações de crédito próximas de R$ 190 milhões anunciadas posteriormente para viabilizar o equipamento. Agora, documentos do planejamento plurianual municipal indicam previsão superior a R$ 147 milhões apenas para a segunda etapa da obra do Hospital Municipal. O cenário reforça a percepção de que o empreendimento se tornou uma obra marcada por readequações financeiras sucessivas, sem estabilidade clara de custo final e sem previsibilidade definitiva de entrega.
Diante da nova inspeção do MP relatada pelo G1, cresce a hipótese de um novo ciclo de aumento de despesas e ampliação do prazo de conclusão. Isso porque o próprio Ministério Público, conforme já observado, aponta problemas estruturais em áreas ainda inacabadas, situação que pode exigir correções técnicas adicionais e novos serviços não previstos originalmente. Paralelamente, o relatório também menciona efetivo reduzido de trabalhadores no canteiro, elemento que historicamente costuma impactar diretamente a velocidade de execução de grandes obras públicas. A combinação entre falhas estruturais e baixa capacidade operacional tende a pressionar novamente tanto o cronograma quanto o orçamento final do hospital.