PIADA - Flávio mira o PT, mas continua devendo explicações sobre os R$ 61 milhões do filme bolsonarista
Ao comentar a operação da Polícia Federal que atingiu integrantes do PT da Bahia, o senador Flávio Bolsonaro voltou a vestir a fantasia de fiscal da moralidade pública e declarou que o partido teria sido “implodido” pela investigação. A cena seria mais convincente se não partisse justamente de alguém que hoje enfrenta questionamentos sobre áudios divulgados com sua própria voz tratando da captação de R$ 61 milhões junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Antes de distribuir sentenças aos adversários, talvez fosse recomendável explicar ao público aquilo que ainda permanece nebuloso dentro do próprio quintal político.
A situação ganha contornos ainda mais constrangedores porque o ex-secretário especial da Cultura Mário Frias prometeu apresentar, em uma semana, o detalhamento dos gastos e contratos relacionados ao projeto cinematográfico. O prazo passou. Depois veio outra semana. Depois mais outra. E já se aproxima de um mês sem que a prometida prestação de contas tenha aparecido de forma completa. Enquanto isso, Flávio segue apontando para a Bahia na esperança de que ninguém olhe para os R$ 61 milhões que continuam pairando sobre o filme como uma pergunta sem resposta. No fim das contas, o senador parece ter descoberto uma velha regra da política: falar dos problemas dos outros é sempre mais confortável do que esclarecer os próprios. Só que, neste caso, o silêncio talvez fosse menos arriscado do que a ironia involuntária de posar como acusador enquanto continua devendo explicações ao público.