• Redação
  • 31/05/2026

O que a disputa eleitoral na Paraíba, no Ceará e em Pernambuco tem a ensinar ao grupo do governo no Rio Grande do Norte

As disputas eleitorais de 2026 na Paraíba, no Ceará e em Pernambuco oferecem lições importantes para quem acompanha o cenário político do Rio Grande do Norte. Apesar das diferenças locais, os três estados apresentam um elemento comum: a força da máquina administrativa quando associada a uma estratégia eficiente de comunicação, presença política e articulação institucional. Em todos eles, governadores ou grupos governistas conseguiram transformar cenários inicialmente desfavoráveis em disputas equilibradas ou até mesmo favoráveis.

LUCAS RIBEIRO VIRA NA PARAÍBA

Na Paraíba, o caso chama atenção pela velocidade da mudança. O governador João Azevêdo deixou o cargo com boa aprovação, forte capacidade de investimento, boa relação com prefeitos e ampla base política. Seu sucessor na disputa, Lucas Ribeiro, chegou a aparecer muito atrás de Cícero Lucena, prefeito de João Pessoa e nome consolidado no estado. No entanto, a combinação entre uma máquina bem avaliada, capacidade de entregas e articulação política permitiu uma recuperação acelerada. O que parecia uma vantagem confortável da oposição foi sendo reduzido até que pesquisas recentes passaram a mostrar Lucas Ribeiro em posição competitiva ou até mesmo à frente.

ELMANO MANTÉM CONTROLE DO PT

No Ceará, o cenário segue lógica semelhante. O governador Elmano de Freitas enfrenta um adversário de grande densidade política, Ciro Gomes, que reúne setores da oposição e do bolsonarismo. Ainda assim, a força administrativa do governo estadual, a presença territorial do grupo governista e a manutenção de uma base política sólida têm permitido que Elmano apareça em posição favorável. O caso cearense demonstra que, quando existe capacidade de gestão, entregas concretas e articulação política consistente, candidaturas governistas podem superar adversários inicialmente considerados mais conhecidos ou mais competitivos.

A SURPREENDENTE VIRADA DE RAQUEL LYRA E O EXEMPLO PARA O RN

Talvez a experiência mais interessante para o Rio Grande do Norte seja a de Pernambuco. Durante muito tempo, a governadora Raquel Lyra aparecia distante de João Campos, prefeito do Recife e considerado amplamente favorito para a sucessão estadual. A reação, porém, veio através de uma combinação de fatores. Houve fortalecimento da relação com a Assembleia Legislativa, aproximação com prefeitos, ampliação da presença institucional e, principalmente, uma estratégia agressiva de comunicação. Raquel Lyra passou a ocupar as redes sociais de forma intensa, apresentar resultados de governo, responder críticas rapidamente e disputar a narrativa pública diariamente. Nenhum tema relevante ficou sem contraponto por parte do governo. A aprovação explodiu positivamente e, com ela, vieram consequentemente as intenções de votos.

A DIFERENÇA NO RN - CRÍTICAS SEM RESPOSTA, COMPARAÇÕES NÃO FEITAS

A principal diferença em relação ao Rio Grande do Norte parece estar justamente nesse aspecto. Enquanto Paraíba, Ceará e Pernambuco transformam gestão em narrativa política permanente, o grupo governista potiguar frequentemente deixa espaços vazios no debate público. Críticas feitas por adversários muitas vezes ficam sem resposta. Comparações com administrações passadas raramente são exploradas. Obras, investimentos e ações do governo nem sempre recebem divulgação proporcional à sua relevância.

Além disso, o enfrentamento político parece ocorrer de forma tímida. Em estados vizinhos, governadores e seus grupos políticos disputam diariamente a interpretação dos fatos, apresentam versões, respondem ataques e procuram associar seus adversários aos problemas herdados do passado. No Rio Grande do Norte, por outro lado, muitas vezes prevalece uma postura mais defensiva, permitindo que adversários construam narrativas sem resistência equivalente. O grupo do governo não consegue romper, desta forma, a baixa aprovação, combatendo, muitas vezes, grupos políticos que foram responsáveis por esfarelar a máquina pública estadual.

A experiência dos estados vizinhos sugere que a eleição de 2026 não será decidida apenas pela quantidade de obras realizadas ou pelos indicadores administrativos. Comunicação, presença política, articulação institucional e capacidade de disputar narrativas também serão fatores decisivos. A Paraíba, o Ceará e Pernambuco mostram que governos podem recuperar terreno, superar desvantagens e até inverter cenários aparentemente consolidados quando conseguem transformar gestão em discurso político permanente. Resta saber se o grupo governista do Rio Grande do Norte estará disposto a aprender essa lição a tempo da próxima disputa eleitoral.