• Redação
  • 19/04/2026

O Pântano Educacional: por que o Brasil não consegue avançar nesta agenda?

Por Ricardo Valentim

Professor Titular da UFRN

Cofundador do LAIS/UFRN


A educação brasileira nunca foi tratada como um verdadeiro projeto de Estado, mas sim como uma sucessão de políticas de governo fragmentadas. Reféns de ciclos eleitorais, essas ações impedem qualquer avanço estrutural a longo prazo e explicam nossa estagnação nas últimas posições do PISA. Enquanto isso, nações como o Vietnã ultrapassam o Brasil por compreenderem o ensino como o motor central da soberania e do desenvolvimento econômico.


No Brasil, observa-se uma classe política que não confere ao tema a relevância necessária. Esse cenário é agravado por um Legislativo de baixa qualidade técnica, que carece de visão para pautar temas complexos. Em vez de reformas que darão frutos em décadas, os atores políticos preferem o imediatismo de agendas que rendem dividendos eleitorais rápidos e visibilidade momentânea.


Soma-se a isso uma polarização tóxica, que transformou o debate público em uma luta maniqueísta entre o "bem" e o "mal". Essa disputa aniquila a possibilidade de discussões técnicas e lúcidas sobre os rumos do ensino. Imersos nesse ambiente, os políticos fogem de pautas estruturantes para focar em temas supérfluos que geram engajamento digital, em vez de promover a real conscientização do eleitorado.


A educação é um tema de longo prazo que exige investimentos planejados, perenes e pacientes; por isso, deveria ser tratada como agenda de Estado, e não de governo. Infelizmente, em nosso país, ela nunca foi respeitada como deveria. Nosso modelo permanece pobre, excessivamente conteudista e enciclopédico — onde mesmo as melhores escolas brasileiras ainda reproduzem uma estrutura educacional fracassada que falha em preparar o cidadão para os desafios do futuro, aspecto que se reflete diretamente no destino da nossa nação.