O inimigo do meu inimigo: para desgastar Allyson, esquerda de Mossoró se aliou ao bolsonarismo radical; valeu a pena?
A máxima de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” produziu uma aliança política difícil de explicar em Mossoró. Para desgastar Allyson Bezerra, setores da esquerda passaram a tratar como aliado Cabo Deyvison, hoje filiado ao PL e já sabidamente identificado com o bolsonarismo radical. É o mesmo personagem cuja atuação marcada por pirotecnia nas ruas terminou em tragédia durante um confronto sem estratégia contra integrantes de facções, apesar de ele não estar, naquele momento, atuando no exercício efetivo da função policial.
Agora, justamente no período eleitoral, Cabo Deyvison foi até a Bahia visitar Wendel Lagartixa, figura tão extremista que faz qualquer bolsonarista do RN se assemelhar a um socialista de primeira hora, e passou a sustentar que sua prisão seria injusta. Trata-se da mesma base de raciocínio das fake news e teorias conspiratórias que culpam a governadora pela situação de Lagartixa, como se o governo tivesse alguma relação com a justiça penal. O movimento político parece evidente: buscar a aproximação e o apoio de Wendel em plena campanha. Este blogueiro se limitou a narrar os fatos em uma postagem: informou sobre a viagem à Bahia, a tentativa de obter o apoio de Wendel e mencionou a acusação criminal que pesa contra ele: envolvimento em um sêxtuplo homicídio, com três mortes consumadas e outras três tentativas. A resposta de Deyvison veio nos comentários, em tom de ameaça contra este blogueiro.
O episódio expõe o preço das alianças construídas exclusivamente pela lógica do adversário comum. Parte da esquerda mossoroense resolveu caminhar ao lado de um representante da extrema direita porque ambos fazem oposição ao mesmo prefeito. Quando diferenças políticas e ideológicas profundas são colocadas de lado apenas para atingir Allyson, situações como essa deixam de ser exatamente surpreendentes. No fim, resta uma pergunta para quem embarcou nessa convergência improvável: valeu a pena? Os fatos falam por si.