Não subestime Álvaro Dias: a lição da vitória de Rogério Marinho ainda ronda a política do RN
Quem tenta projetar o destino da campanha de Álvaro Dias inevitavelmente acaba olhando para a eleição de 2022. Naquele momento, muita gente tratava como improvável a vitória de Rogério Marinho ao Senado. Mesmo associado de forma explícita ao então presidente Jair Bolsonaro, Rogério estruturou uma campanha competitiva, manteve sua estratégia e terminou eleito senador pelo Rio Grande do Norte. A comparação, porém, não significa que a história vá se repetir, mas serve de alerta para quem considera a disputa estadual encerrada antes do tempo.
A estratégia de Álvaro parece apostar em transformar a rejeição ao governo estadual em combustível para alcançar o segundo turno. Se conseguir esse objetivo, o cenário político tende a ser reorganizado, com novas alianças e movimentos naturais de uma disputa em duas etapas. Eles sabem moer, para utilizar a expressão já utilizada por Carla Dickson. Não há qualquer garantia de que esse plano dará certo, mas também pode ser um erro descartá-lo antecipadamente. Em política, campanhas bem estruturadas, máquinas partidárias competitivas e reorganizações entre o primeiro e o segundo turno já produziram reviravoltas importantes. Subestimar adversários costuma ser uma aposta tão arriscada quanto superestimá-los.