"Não gostei", diz Valdemar Costa Neto sobre carta de Flávio Bolsonaro
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua derrota para Lula (PT). Na primeira versão do documento, publicado depois da chegada do senador aos Estados Unidos, Flávio se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e alegou, sem provas, que houve fraude na votação de domingo (25).
"Não gostei", declarou Valdemar, antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. "Tenho muitas novidades para contar para ele, como é que está toda a situação, e vai dar tudo certo", acrescentou. A crítica expõe divergências no PL: enquanto Valdemar reconheceu oficialmente a reeleição de Lula, Flávio passou a contestar o resultado e anunciou que comandaria a oposição do exterior.
Na carta, Flávio acusou adversários de terem roubado a eleição e agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento. Após a repercussão, o texto foi alterado: a expressão "presidente eleito do Brasil" deu lugar a "líder do Brasil". Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) atribuiu a mudança a um "erro".
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), após ser intimado a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Já nos Estados Unidos, negou ter fugido e anunciou a intenção de liderar a oposição a distância. "Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", escreveu.
A carta também foi criticada por partidos como União Brasil e MDB, que defenderam a legitimidade da eleição. O próprio PL havia reconhecido a vitória de Lula em nota assinada por Valdemar. Sem mencionar diretamente Flávio, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade dos eleitores e disse que a eleição transcorreu "na mais absoluta normalidade".
Lula venceu Flávio por cerca de 4,4 milhões de votos. O senador questionou a prorrogação do horário de votação em determinadas localidades, mas o TSE informou que apenas 34 mil votos foram registrados após as 17h, quantidade insuficiente para alterar o resultado nacional. A prorrogação foi autorizada em meio a reclamações sobre dificuldades de transporte de eleitores. Apesar de anunciar que pediria a anulação da eleição, Flávio não formalizou o pedido por meio de sua equipe jurídica.