• Redação
  • 23/09/2026

Miliciano se referiu a Flávio Bolsonaro como 'nosso senador' em mensagens apreendidas pela PF

Estado de Minas - A Polícia Federal (PF) descobriu que Robson Calixto da Fonseca, o "Peixe", miliciano condenado pela participação no assassinato da vereadora Marielle Franco, referiu-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como "nosso senador" em mensagens de celular.

A história das mensagens reveladas nesta quarta-feira (23/9) pela revista Piauí, começa em outubro de 2023 e faz parte da operação que apura o desvio de uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil, negociada a pedido de Calixto por uma assessora do parlamentar.

A investigação busca esclarecer se a destinação da verba pública beneficiou a milícia e o grupo político dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco.

Quem é Robson Calixto, o "Peixe"?

Robson Calixto da Fonseca, conhecido como "Peixe", é um ex-policial militar e foi assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Atualmente cumprindo pena em regime fechado, ele foi condenado pela Justiça por sua participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018.

Sua conexão com o gabinete do senador Flávio Bolsonaro acendeu um alerta na PF sobre a possível interferência do grupo no acesso a recursos públicos federais.

Como a emenda de quase R$ 200 mil foi negociada?

Mensagens de texto revelam como a verba foi intermediada pela assessora de Flávio Bolsonaro. O dinheiro, no valor exato de R$ 199.999,79, foi destinado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), entidade ligada aos irmãos Brazão. O processo, segundo a PF, seguiu as seguintes etapas:

  • Robson Calixto contatou a assessora para solicitar os recursos para o IFOP, mencionando os interesses dos irmãos Brazão.
  • A assessora confirmou a viabilidade da emenda e sugeriu que Chiquinho Brazão fosse a um evento para reforçar o pedido pessoalmente ao senador.
  • A verba foi repassada ao Ministério do Esporte, que firmou um termo de fomento com o instituto.
  • O pagamento foi efetivado em novembro de 2023, e a PF apura se os valores foram desviados para a milícia.

Qual o papel da assessora Maria de Fátima Bezerra Castro?


Maria de Fátima Bezerra Castro, lotada no gabinete do senador em Brasília, é apontada como a principal ponte entre o miliciano e a verba parlamentar. As conversas analisadas pela Polícia Federal mostram que ela tratou diretamente com Robson Calixto os detalhes e o andamento do repasse do dinheiro público.