• Redação
  • 20/10/2026

Manifestantes protestam em frente à sede da Meta em SP contra interferência nas eleições

G1 - Manifestantes protestaram na tarde desta segunda-feira (19) em frente à sede da Meta no Brasil, na Avenida Faria Lima, na Zona Sul de São Paulo, contra uma suposta interferência da empresa no processo eleitoral brasileiro. Segundo apurado pela TV Globo, os participantes tentaram entregar uma notificação extrajudicial a representantes da companhia, mas a empresa se recusou a receber o documento.

O ato, chamado “Meta, não se meta na nossa eleição”, foi organizado por entidades da sociedade civil e movimentos sociais. Os organizadores afirmam que a empresa, dona de Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp e Meta AI, estaria restringindo conteúdos e perfis ligados a grupos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que, até o fim do segundo turno das eleições, a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral nem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem de Flávio Bolsonaro (PL), sob pena de multa diária de R$ 500 mil.

A decisão foi dada em ação protocolada pela campanha do presidente Lula à reeleição, após dizer que a empresa "tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação".

Segundo as entidades que organizaram o ato desta segunda, nas últimas semanas, foram registradas denúncias de perfis banidos, publicações removidas, quedas repentinas de alcance e restrições de funcionalidades sem explicação. Os organizadores também apontam supostas irregularidades em anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira e questionam o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial da empresa na classificação e recomendação de candidatos.

A notificação extrajudicial seria direcionada a Conrado Leister, diretor da Meta no Brasil. Entre as exigências apresentadas pelas entidades estão a reparação dos danos que atribuem à plataforma, a transparência sobre as decisões de moderação e a criação de canais de contestação para usuários e organizações afetados.

Os organizadores pedem ainda o fim do que chamam de "shadowban", prática que, segundo eles, consiste na redução seletiva do alcance de publicações sem notificação clara ao usuário.

O documento também solicita a preservação de registros de moderação e de dados sobre a distribuição de conteúdos para permitir auditorias pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo Ministério Público e pela sociedade civil.

O protesto foi articulado pelas organizações CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.

Meta nega interferência

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Foto: Ricardo Stuckert

Em 16 de outubro, a Meta disse que a empresa "não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição", afirmou que a conta do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a ser suspensa "por engano" e que "incidentes técnicos recentes" afetaram as duas campanhas na internet.

De acordo com o posicionamento, uma "lacuna" nas "proteções" da empresa fez com que a ferramenta de inteligência artificial da Meta elaborasse materiais de campanha que favoreciam o senador e também candidato Flávio Bolsonaro (PL).

"Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos", declarou a empresa na nota.

De acordo com a Meta, a conta de anúncios da campanha de Lula (PT) foi desativada "por engano" e "não por razões políticas" em 23 de setembro. A suspensão, segundo a empresa, durou pouco mais de 1 hora - e a página oficial da campanha de Lula no Facebook e a conta no Instagram nunca foram bloqueadas.

"Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ter sido classificado como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes. A análise antifraude incorreta feita sobre este anúncio foi adotada no âmbito de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais".

A empresa afirmou que suspensão ocorreu por conta "das regras rígidas do Brasil para conteúdo digital" que, na avaliação da Meta, "aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão".

"Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros".

'Incidente técnico'

Em 7 de outubro, a empresa disse que "um incidente técnico" afetou os sistemas que contabilizam reproduções e reprises de Reels. O problema, ainda segundo a Meta, não ficou restrito ao Brasil e à conta da campanha de Lula. "É importante destacar que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema".

"Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países."

A empresa reportou ainda que, em 9 de outubro, a Meta identificou uma falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por uma atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram.

O jornal Folha de S. Paulo teve acesso a diálogos de funcionários da Meta. De acordo com o jornal, eles admitem que as restrições prejudicaram as contas de Lula.

Em uma das mensagens, um dos funcionários da empresa afirmou que a conta do presidente e candidato à reeleição estava “limitada” em comparação à de seu adversário, Flávio Bolsonaro — e que isso seria negativo diante da “alta chance” de haver uma ação judicial.

'Lacunas' no assistente de IA

Usuários da Meta AI no WhatsApp relatam que a tecnologia se recusa a gerar imagens de campanha de Lula, mas aceita pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro. "O incidente envolvendo a Meta AI em 14 de outubro resultou de uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político".

🔎 A Meta AI é um assistente de inteligência artificial gratuito e integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook. Ela funciona de forma semelhante ao ChatGPT nos serviços da Meta e, a partir de descrições simples, pode produzir textos, planejar atividades e criar imagens, por exemplo.

O posicionamento divulgado pela empresa afirmou que, para cumprir as regras eleitorais, a Meta proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil.

"Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro” -, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral".

A empresa declarou também que "cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada".

"Nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição", conclui.