• Redação
  • 31/07/2026

Lulinha não terá privilégio, não ficará escondido, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (30) que seu filho mais velho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve responder à Justiça sem privilégios especiais e que não usará o poder da cadeira presidencial para blindá-lo.

Lulinha virou alvo nesta quinta-feira (30) de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça a pedido da Polícia Federal.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula disse que o filho viveu o período de dificuldades da família durante a operação Lava Jato, que culminou em sua prisão em 2018. O presidente atribuiu a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia às investigações, e afirmou que, desde então, o filho estaria ciente de que "não tem o direito de errar".

“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa, como eu. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Ele viveu dentro da minha casa o que passei. Sabe o que é um pai, com cinco filhos, ver na televisão chamar a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava-Jato. Ele sabe. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso", disse Lula em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.

Fábio Luís vive atualmente na Espanha. Segundo a PF, há indícios de que ele tenha influenciado na autorização da comercialização de cannabis medicinal em programas do Ministério da Saúde.

A descoberta da atuação do filho do presidente no mercado de cannabis se deu no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos associativos indevidos e não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

Lula disse acreditar na versão de inocência do filho, mas frisou que Lulinha terá que vir ao país para contribuir com as investigações.

“Se for julgado, ele virá para cá. Não vai ficar escondido não. Não vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai vir para cá. Ele vai ter que provar que ele é inocente como eu provei, vai ter que provar. E se for culpado, vai ter pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra".

Por outro lado, o presidente disse que seu filho tem sido usado como meio para atacá-lo indiretamente desde 2006, ano em que disputou e venceu para o seu segundo mandato. "Quem quer me atacar, começa atacando ele. Ele era dono de todos os gados da Friboi, da JBS, tinha carro de ouro", ironizou.

O relator do caso INSS no STF é o ministro André Mendonça. Nos bastidores do STF, o pedido de abertura de um novo inquérito pela PF foi interpretado como uma tentativa de tirar Fábio do escopo das decisões de Mendonça no âmbito da Sem Desconto. A estratégia, no entanto, fracassou, já que o novo sorteio na Corte também colocou o ministro como relator do caso das suspeitas de tráfico de influência de Fábio.

Outro lado

Em nota, o advogado Guilherme Suguimori Santos, representante de Lulinha, entende que a abertura de uma nova investigação à parte da Operação Sem Desconto tem indícios de ilegalidade e pode configurar a chamada "pesca probatória" – ou seja, a busca indiscriminada por provas sem indícios concretos ou objeto investigativo previamente definido, na expectativa de encontrar alguma evidência de crime.

"Se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições. Tentam achar 'x', como não acham, tentam 'y', e se não acharem vão inventar 'z'. Investigação não é exercício de tentativa e erro. Isso configura o que chamamos de pescaria probatória, que é ilegal e escancararia o interesse político por trás dessa movimentação peculiar", finaliza.