• Redação
  • 28/09/2026

Lula volta a defender fim do fundo eleitoral e reforma política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o fim do Fundo Eleitoral e afirmou que uma reforma política é necessária para reduzir a polarização no país. As declarações foram feitas neste domingo (27), durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Band.

Lula classificou o atual modelo político como uma “promiscuidade generalizada” e afirmou que mudanças no sistema enfrentariam interesses de deputados e partidos.

“Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político. Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está. Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União”, afirmou.

Segundo o presidente, uma nova configuração partidária poderia contribuir para reduzir a polarização. Para ele, as legendas deveriam representar diferentes setores da sociedade e apresentar programas e propostas definidos.

“Então, tudo isso vai ter que mudar. Se eu não fizer, ninguém faz. A gente vai acabar com a polarização quando os partidos representarem, de fato, os lados da sociedade. Eles têm que representar uma parte do povo. É assim que se cria partido político. Agora, nós não temos mais isso”, disse.

Lula afirmou ainda que uma reforma política “digna” poderia, em sua avaliação, “devolver a política outra vez sadia para o povo brasileiro”.

Críticas ao financiamento partidário

Durante a entrevista, Lula também citou o PT como exemplo de partido que, segundo ele, possui programa, manifesto e bandeiras definidas. O presidente criticou o funcionamento de outras legendas e questionou o uso de recursos públicos para financiar campanhas.

“O que representa a maioria dos partidos? Quantos partidos você tem de caráter nacional, que? Só o PT. Porque o restante virou um clube, sabe, de financiar campanha. As pessoas se organizam de acordo com a quantidade de deputados que conseguem ter. Aí o cara cria uma média empresa, aí recebe fundo partidário, recebe fundo eleitoral. Nem sempre se controla o que faz com o dinheiro. Então isso já precisa acabar”, afirmou.

Lula também declarou que já apoiou a criação dos fundos, mas avaliou que o modelo atual “apodreceu a política”.

O presidente ainda criticou o chamado orçamento secreto e afirmou que o sistema de financiamento e distribuição de recursos contribuiu para ampliar interesses individuais no Congresso.

“Mais o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política. Na hora de votar o deputado pensa nele primeiro, ele pensa no mundo dele. E nós precisamos criar as condições de pensar um pouco nesse país, para dar chance às pessoas novas que querem entrar na política, criar um partido que tem um programa para a gente saber o que aquele partido pensa. Hoje são interesses corporativos. Então, é muito difícil”, declarou.